FOLHA DE LONDRINA: Na sua visão quais são as competências de uma prefeitura?
BRUNO MEIRINHO: A prefeitura tem várias possibilidades de atuação no cotidiano das pessoas. A cidade é o espaço mais imediato no qual o cidadão tem acesso a educação, atendimento de saúde, outros direitos fundamentais como a moradia, soberania alimentar e mobilidade. Então todos esses direitos são direitos de competência do município. É papel da prefeitura garantir uma vida digna para as pessoas.

FOLHA: O senhor é contra a prática do nepotismo?
MEIRINHO: A pessoa que assume o comando do Poder Público acaba tendo certos privilégios. E mesmo que um parente eventualmente seja competente, isso é muito difícil de se avaliar. Sou a favor da redução no número de contratações comissionadas. Acho que essa grande quantidade de cargos comissionados é também o que favorece não só o nepotismo, mas outros tipos de privilégios. Porque posso não contratar um parente, mas contratar um conhecido, que não caracteriza como nepotismo, mas é um privilégio.

FOLHA: Como o senhor avalia que deve ser o relacionamento entre a prefeitura e o governo do estado?
MEIRINHO: Assumir uma prefeitura implica em ter relações com todas as esferas, com o Poder Público estadual, a União. Como foi dito antes, a prefeitura tem competências. O Estado, a União também têm competências. E todos atuam dentro do território do município. Então é inevitável que essas relações aconteçam. Mas para a nossa perspectiva socialista é mais importante para a cidade é que tenha participação popular. As administrações municipais deveriam dialogar mais com a população.

FOLHA: Se eleito, quais mecanismos de transparência o senhor pretende implantar no seu governo?
MEIRINHO: Vamos publicar na internet. Mas é que esses detalhes não precisam estar completamente expostos. Nossa idéia geral é de transparência pública total. Tanto usando meios de comunicação como a internet, mas também outros meios.

FOLHA: O senhor é a favor de disponibilizar na internet o nome dos funcionários públicos concursados e comissionados, com função, local de lotação e salário?
MEIRINHO: Não sei se seria contra isso. Se são funções públicas que você pode acessar. Acredito que essas informações são públicas. Eu não vejo nem razão para não ser divulgado.

FOLHA: O senhor é favorável ao financiamento público de campanha?
MEIRINHO: Acho que o estado tem outras prioridades. É uma medida inócua para evitar esses escândalos de corrupção como mensalão. Porque não acaba com o caixa dois, nem com as campanhas milionárias. O mais importante é que a população tenha acesso a informação.

FOLHA: O senhor concorda com o entendimento do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) de que o mandato pertence ao partido e não ao candidato?
MEIRINHO: Concordo. Muito embora concorde também com uma outra questão que o TSE afirma que é se a divergência entre o partido e o candidato envolve algo que era a identidade anterior do partido, o candidato pode manter o seu mandato. Acho sim que o mandato pertence ao partido porque muitos parlamentares são eleitos pela legenda. Defendemos o voto ideológico, nas pautas partidárias. Não fazemos campanhas personalistas. O partido é muito maior do que as pessoas.

FOLHA: O que o senhor pensa sobre a cassação do registro de candidatos que tem pendências na justiça?
MEIRINHO: A pendência de um processo que não transitou em julgado não deve ser motivo para não se permitir o registro. Porque um processo que ainda está sendo discutido não terminou. Sou totalmente favorável a divulgação da informação para a população.

FOLHA: Como o senhor avalia a atuação da Câmara Municipal de Curitiba?
MEIRINHO: É uma correia de transmissão da administração do Beto Richa. Há muito pouca divergência. Poucos parlamentares compõe a bancada de oposição. Uma grande maioria são de aliados da prefeitura. Falta divergência. E a divergência é muito positiva. A unanimidade é sempre perigosa para a democracia. (Continua na página 3)

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