Meio século de verduras, frutas e diversidade cultural
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 31 de julho de 2008
Diogo Cavazotti<br>Equipe da Folha 
No dia 2 de agosto de 1958 foi inaugurado, no antigo bairro Capanema, o Mercado Municipal. Hoje o local integra a região do Centro, em frente à Rodoferroviária. Nestes 50 anos, o espaço acumulou histórias e mudanças. Algumas pessoas que trabalham por lá acompanharam de perto toda esta evolução.
Um dos muitos personagens que o mercado abriga é o comerciante Osvaldo Cardoso Vieira, 82 anos. Ele é dono de uma banca de sementes que existe desde a inauguração do local. Seo Osvaldo largou a profissão de gerente de uma loja de calçados e veio de Marília, interior de São Paulo, para trabalhar por conta própria. No começo foi difícil. Não era um bairro populoso e não vendíamos quase nada. O prefeito da época, Ney Braga, forneceu os espaços gratuitamente mas quase ninguém se interessou. Mesmo assim, ele resolveu arriscar e montou a banca. Hoje possui mais dois boxes de temperos e produtos industrializados. Seus filhos e netos trabalham com ele.
Durante toda a trajetória, o movimento do Mercado Municipal sofreu muitas oscilações. A construção de redes de mercados nas proximidades também fez o público diminuir. Com o tempo, a estrutura ficou velha e acabou afastando os clientes. Muitas vezes a reforma foi cogitada pela prefeitura, mas os lojistas se negavam em dividir os custos da obra. Antes disso, chegaram a pensar em privatizar o mercado, que é de propriedade municipal. Foi em 2002 que a reforma foi feita pela prefeitura sem qualquer custo aos comerciantes. Com isso o número de clientes aumentou e os tempos áureos do mercado voltaram.
Atualmente o espaço passa novamente por pequena reforma. Desta vez é para aumentar o número de bancas. Serão 25 lojas somente para produtos orgânicos. Todas elas já foram vendidas através de licitação feita no ano passado. Existe um projeto para também aumentar o estacionamento.
Os produtos estrangeiros fazem sucesso. Desde 2004, Adilson Kohatsu, 49, é gerente de uma loja de alimentos japoneses no mercado. Quando ele começou, eram apenas dois boxes especializados neste segmento. Hoje eles se proliferaram. A culinária japonesa está em evidência e não sai de moda, diz Kohatsu, explicando o motivo do crescimento. Na loja ele oferece diversas opções aos amantes dos produtos do outro lado do mundo, mas os campeões de venda continuam sendo os sushis, as algas e o arroz.
Algumas pessoas não dispensam um bom passeio pelo Mercado Municipal. É o caso do autêntico italiano Avelino Fregronese, 82, que visita o espaço desde a inauguração. Ele mora próximo ao mercado e costuma comprar queijo, azeitona, verduras e vinhos. O local é muito bonito. Antes vinha duas vezes por semana. Agora que estou mais velho venho menos.
No Mercado Municipal é possível encontrar quase tudo. São lojas de peixes para aquário, sapatos, jornais, artesanato, cabeleireiros, peixaria, pimenta, ervas, jóias, chocolates, massas, além dos restaurantes e pastelarias no piso superior.
Em 2003, quando Curitiba completou 310 anos, o mercado ganhou um painel do artista plástico Poty Lazzarotto, fiel freqüentador do local durante muitas décadas. A obra do artista plástico em azulejo de
33 metros quadrados foi instalada em uma das paredes internas da construção.
Comemoração
Para celebrar os 50 anos do Mercado Municipal, um concurso fotográfico foi feito para captar os aromas e sabores do local. Foram 780 fotos inscritas. Destas, 20 classificadas irão participar da exposição que abre amanhã, a partir das 10 horas, no próprio mercado.
A coordenadora de eventos da Secretaria Municipal de Abastecimento, Rita de Cássia Caprilhone, foi quem organizou o concurso e divulgou com exclusividade à FOLHA a imagem campeã, feita pelo fotógrafo Daniel Caron.
Um livro está em fase de finalização para também comemorar a data. Serão 32 receitas feitas por comerciantes do mercado. Ele será lançado em setembro deste ano. (D.C.)


