MEIO AMBIENTE - Sociedade pode adotar soluções simples em prol do planeta
PUBLICAÇÃO
domingo, 14 de janeiro de 2007
Fabiana Caso<br>Agência Estado 
São Paulo - A saúde do planeta está balançando. O aquecimento global derrete geleiras em velocidade estonteante e os recursos naturais esgotam-se progressivamente. Enquanto alguns só reclamam, ou lamentam, tem gente que colocou a consciência em prática e passou a adotar atitudes ecológicas no dia-a-dia.
Uma das novas ondas internacionais é a neutralização de carbono. Apesar de o nome parecer coisa de super herói de quadrinhos, a equação é simples: calcula-se quanto a pessoa (ou empresa) emite de carbono no ar e quantas árvores deve plantar para compensar a poluição. O ator Leonardo di Caprio, a banda Coldplay e, claro, o político americano Al Gore aderiram à prática.
Aqui, no Brasil, a Iniciativa Verde atua há pouco mais de um ano e oferece uma fórmula para calcular essa equação no site www.iniciativaverde.com.br. A loja Garimpo/Fuxique e a banda Jeito Moleque, por exemplo, trabalham com a entidade, financiando o plantio de árvores em áreas do Paraná e interior de São Paulo, de forma a compensar a poluição decorrente da sua atividade. Quando se trata de pessoas físicas, que têm um número menor de árvores para ser plantado, os próprios cidadãos encarregam-se da tarefa.
Um dos diretores da Iniciativa Verde, David Dieguez, diz que um cidadão urbano de classe média produz cerca de sete toneladas de carbono por ano, e precisaria plantar 38 árvores para neutralizar o seu efeito no meio ambiente. ''Somos responsáveis pelo que utilizamos no planeta. É importante compensar isso, porque, se continuarmos só consumindo, não vai sobrar nada'', pondera.
O arquiteto e paisagista Bruno Fernandes Carettoni, paulistano de 28 anos, é um dos que aderiram à prática. Depois que fez um curso de arquitetura ecológica, conscientizou-se de que precisava fazer algo. E não perdeu tempo. Estudou o Tratado de Kioto, navegou no site da Iniciativa Verde e gostou tanto da possibilidade de neutralizar o carbono emitido que não só planta suas 15 árvores anuais em seu sítio, como também está tentando convencer empresas a adotarem o mesmo procedimento. ''Dou preferência a espécies nativas, que atraiam pássaros. Depois do plantio, já vi um tucano na região.'' Ele compra pessoalmente as mudas e coloca a mão na massa.
Mas não é só. A casa onde mora com os pais e irmãos, na zona sul de São Paulo, passou por uma reformulação. Pensando em gastar menos água, Bruno implantou um sistema para captação da chuva - que passa por um filtro até cair na caixa d'água. ''Antes só usávamos essa água para regar o jardim e lavar o piso, mas hoje essa caixa também alimenta os vasos sanitários'', conta ele, que enfrentou os protestos do pai no começo. Hoje, toda a família é parceira no trabalho. Além dos benefícios ecológicos da economia de água, o bolso também agradece. ''Economizamos 100 litros de água por dia e cerca de R$ 150 por mês.''
Ele também instalou um sistema de compostagem de lixo orgânico, que se transforma em ótimo adubo para a sua horta orgânica. Quando o assunto é consumo, ele tenta comprar apenas orgânicos, e evita qualquer mercadoria que tenha uma embalagem muito maior do que o produto em si. ''Com tanta gente no mundo, não dá para fazer o que bem entendemos, pois dessa forma não teremos recursos suficientes para todos.''
Em seus projetos arquitetônicos, coloca os mesmos princípios em prática. Tenta usar o mínimo de madeira possível, e dá preferência a materiais alternativos, como a chamada madeira plástica: um compensado feito com garrafas pet.


