Curitiba- O índice de coleta e tratamento de esgoto ainda está longe do ideal nas cidades do Paraná. Menos da metade da população urbana (47%) dos 343 municípios atendidos pela Companhia de Saneamento do Paraná (Sanepar) dispõe do serviço. Mas, um aspecto positivo a ser comemorado neste Dia Mundial do Meio Ambiente é a solução que a empresa está dando para um passivo ambiental invisível para a grande maioria das pessoas: os resíduos gerados no tratamento dos efluentes domésticos.
A reciclagem do chamado ''lodo de esgoto'' material orgânico resultante do processamento dos efluentes e sua aplicação na agricultura, além de ser uma alternativa ambientalmente correta, é cercada de um apelo social, pois está ajudando pequenos agricultores a aumentar a produtividade de suas lavouras.
A diretora de Meio Ambiente da Sanepar, Maria Arlete Rosa, informou que, aproximadamente, 30% do lodo gerado em todo o Estado sai da Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) Belém, em Curitiba. Somente as unidades da Capital e região metropolitana produzem 2,5 mil toneladas de resíduos por mês. Todo esse material é reaproveitado como insumo agrícola, depois de passar por processo de secagem e higienização. A aplicação de cal elimina possíveis patógenos do lodo.
O assunto foi tratado, recentemente, em reunião do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama), que pretende instituir uma resolução, regulamentando o uso agrícola do lodo de esgoto. Foram discutidas alternativas para usar parte do resíduo como insumo sem oferecer riscos ao solo, ao aplicador do material e ao consumidor final. Ficaram definidas as precauções, rastreabilidade, áreas utilizadas e os responsáveis, entre outros aspectos, mas a resolução completa será definida somente na próxima reunião, em julho.
O presidente do Instituto Ambiental do Paraná (Iap), Rasca Rodrigues, disse que o Estado dispõe de uma instrução normativa para a questão do aproveitamento do lodo e que irá revisá-la, assim que o Conama definir a resolução. A concessão do licenciamento deverá exigir a implantação conjunta de unidades de gerenciamento do lodo (UGL), adiantou. Até agora, o Iap vem fazendo o acompanhamento da reciclagem.
Segundo Maria Arlete, o plano de gestão de resíduos na Sanepar prevê a ampliação do reaproveitamento do lodo para as unidades de, pelo menos, 18 centros urbanos com população acima de 50 mil habitantes. Em Londrina, por exemplo, os cerca de 600 metros cúbicos de lodo gerados por mês estão sendo estocados nas próprias estações até que seja firmada parceria com a Emater local para o aproveitamento na agricultura.
Além de Curitiba e região metropolitana, onde a reciclagem acontece há sete anos, o projeto já vem sendo aplicado em Foz do Iguaçu, Paranavaí, Guarapuava, Ponta Grossa e União da Vitória. No entanto, nesses municípios a produção de lodo é pequena.
A pesquisa experimental de utilização do lodo de esgoto na Grande Curitiba começou a ser desenvolvida em 1994, em parceria com a Universidade Federal do Paraná (UFPR) e Emater Paraná. A partir de 1999, o resíduo passou a ser totalmente reaproveitado. Antes disso, o lodo era disposto em leitos de secagem junto a própria ETE. Em alguns municípios do Interior do Estado, o material chegou a ser destinado a aterros sanitários.

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