Meias, queijo fedido, castanhas e pitis
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quinta-feira, 18 de outubro de 2007
Flora Guedes<br>Equipe da Folha 
A produção da edição 2007 do Tim Festival, em Curitiba, terá uma trabalheira pela frente para deixar tudo nos trinques na recepção dos artistas que darão vida ao evento. Principalmente, para aqueles que terão a tarefa de providenciar do papel higiênico às refeições vegetarianas, inclusive, comprar os produtos com as marcas exigidas pelos artistas. Detalhes não podem passar desapercebidos nesse caso. Na verdade, são o que há de mais importante. O quarteto The Killers, de Las Vegas (EUA), enviou uma listagem de pedidos considerada básica pela produção, mas se mostrou por demais detalhista.
Depois de solicitarem uma série de comidinhas, ao final do e-mail deixaram uma observação: Não sirvam nada que vocês não comeriam. Desejam ainda seis pares de meias esportivas brancas e climatização dos camarins especificando até a temperatura ideal, algo entre 21 e 23 graus. Tenho visto, desde o ano passado, que os artistas não pedem nada muito extravagante. Pedem sim um milhão de toalhas brancas, nunca mudam a cor. Todos pedem opção de comida vegan, quase metade das bandas é vegetariana. Gostam de pedir bebidas com as marcas e sabores, além de sucos e frutas frescas e orgânicas, conta a assistente de produção geral do Tim Festival, em Curitiba, Camila Cornelsen.
A equipe gigantesca da cantora islandesa Bjork, com 36 pessoas, exigiu seis camarins, um deles somente para organizar o figurino da estrela. Bjork ainda expressou o desejo de provar comidas regionais e castanhas brasileiras. Para buscá-la no aeroporto perguntou se não teria uma limusine, caso contrário, serviria uma van mesmo ou um ônibus. O Hot Chip pede sempre good quality products (produtos de boa qualidade), seja qual for o item. Mas tinha um pedido ainda mais diferente: queijo de boa qualidade (não processado) the stinkier the better (quanto mais fedido melhor). E ainda pedem uma cerveja que tem na Inglaterra que é de gengibre. Excêntricos, define Cornelsen.
Voltando ao ano de 1997, em Curitiba, o jornalista Alessandro Reis lembra fofocas dos bastidores de vários shows internacionais, particularmente, do piti feito pelo vocalista da banda White Snake, David Coverdale, que acabou não se apresentando devido a alguns probleminhas com a alfândega. Quando ele foi tomar banho no hotel que estava hospedado, achou que o chuveiro não esquentava a água o suficiente e pediu para trocar imediatamente de hotel. O engraçado é que o restante dos músicos não reclamou de nada, só ele pediu a mudança de hotel, resgata Reis, que também guardou outra situação engraçada.
Uma figura lendária do rocknroll norte-americano teve um chilique quando veio aqui. Antes da entrevista coletiva, toda imprensa estava aguardando numa sala ao lado do quarto dele, o músico apareceu usando um robby de seda e tomou um susto diante de tanto flash e das luzes, ligadas ao mesmo tempo. Voltou correndo para o quarto buscar os óculos escuros, lembra Reis que faz um contraponto. Houve quem também espantasse pela simplicidade. O David Bowie me surpreendeu, quando o vi comendo com garfinho e prato de plástico atrás do palco do Close-up Planet. Ele é discretíssimo. Veja que essa é a diferença entre artista e estrela, pontua o jornalista.
Para hospedar a cantora Ivete Sangalo, neste ano e em 2006, o Hotel Bourbon de Curitiba teve que providenciar uma mini academia para a estrela na suíte presidencial, com bicicleta ergométrica e esteira. Um cantor internacional, que veio para cá, também neste ano, nos pediu algo inusitado e nada sofisticado, dois frangos assados, esses de padaria mesmo. Um frango ele levou para comer no camarim e o outro na suíte. Parece que é uma superstição, conta o gerente geral do Bourbon Curitiba, Sílvio Rossi.
A comitiva do presidente da Venezuela, Hugo Chávez, também teve das suas, embora, de última hora, o líder tenha resolvido não pernoitar mais em Curitiba e sim em Assunção (Paraguai). Mas tínhamos preparado tudo para recebê-lo. O que chamou mais a nossa atenção, até porque tivemos que abrir essa exceção, foi que a comitiva exigiu que as refeições do presidente fossem preparadas pelo próprio cozinheiro dele, por medida de segurança, revela Rossi.#


