Médicos são suscetíveis a doenças psíquicas
Longas jornadas de trabalho, estresse, envolvimento emocional com as histórias dos pacientes, exigência de muita atenção e concentração nas atividades diárias e o contato com risco de morte predispõem médicos a desenvolverem doenças psíquicas.
De acordo com o médico do trabalho Edcesar Vicente Leite, por essas condições de trabalho, muitos médicos acabam desenvolvendo ansiedade, estresse, síndrome do pânico, depressão, fadiga psíquica e a chamada Síndrome de Burn Out, quando o profissional perde o controle emocional e profissional por causa do avançado quadro de estafa mental. O médico passa a ter total aversão por uma atividade que antes lhe dava prazer, explica Leite.
Não existem estatísticas específicas sobre o desenvolvimento de Doenças Osteomusculares Relacionadas ao Trabalho (Dort) e doenças psíquicas nos profissionais de saúde. Entre trabalhadores em geral, enquanto as Dorts aumentaram 512% de 2007 para 2008, as doenças psíquicas aumentaram 3.500% no mesmo período. São doenças que já existiam e que passaram a ser relacionadas ao trabalho, explica.
A prevenção é feita pela adoção de bons hábitos de vida, o que inclui redução na jornada de trabalho, dieta saudável, relaxamento mental, realizar atividades de lazer adequadas e evitar tabagismo e álcool. São medidas que os médicos nem sempre adotam, porque são profissionais autonômos cuja renda depende do tanto que trabalham.
O presidente da Associação Médica de Londrina (AML), Antônio Caetano de Paula, acrescenta que o médico, na rotina diária, lida com pessoas doentes, o que leva ao entristecimento. Além disso, tem que tomar sozinho decisões sobre a vida das pessoas, afirma.
Por isso, Caetano de Paula considera fundamental ter momentos de relaxamento e também o saudável convívio familiar. Na AML, as festas mensais dos aniversariantes e o Clube de Corrida foram criados com o objetivo de proporcionar momentos de lazer aos profissionais. (C.A.)





