Médicos devem cobrar dos usuários de planos de saúde
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sábado, 18 de setembro de 2004
Fábio Galão<br>Reportagem Local 
A partir do próximo dia 28, médicos conveniados a 38 empresas de saúde de Londrina deverão cobrar de usuários de planos de saúde valores por consulta previstos na Classificação Brasileira Hierarquizada de Procedimentos Médicos (CBHPM). Segundo Weber de Arruda Leite, presidente da Comissão de Ética e Defesa Profissional da Associação Médica da cidade (AML), os profissionais de medicina fornecerão recibos aos usuários para que estes exijam das empresas ressarcimento das quantias pagas.
O atendimento em três especialidades, cirurgia vascular, angiologia e neurologia, já está sendo feito pelo método de recibo. A resolução não afetará a Unimed e a Hospitalar, as únicas empresas da cidade que estão em fase de implantação da CBHPM, inclusive com prazos definidos.
Em todo o Brasil, entidades representativas da classe médica estão negociando para que planos de saúde e seguradoras passem a adotar a classificação para o pagamento de procedimentos. Leite explica que nos últimos dez anos as empresas do setor promoveram reajustes nos valores cobrados dos usuários que somaram no total aumentos entre 280% e 360%. Mas ao mesmo tempo a tabela dos pagamentos a serem feitos aos médicos pela realização de procedimentos não foi alterada.
Segundo Leite, a diferença média entre o valor que é pago atualmente pelas empresas e os valores previstos na CBHPM é de cerca de 30%. Em algumas especialidades, a discrepância chega a 70%. ''Essa nova classificação traz um acréscimo de mais de 1.000 procedimentos atualizados, o que equipararia o nível da medicina praticada no Brasil a patamares semelhantes aos da Europa e dos Estados Unidos'', alega o médico.
''O desejo dos médicos, além do reajuste da remuneração, é fazer com que o usuário de plano de saúde realmente tenha direito irrestrito a serviços que existem hoje nos países mais desenvolvidos do mundo'', complementa. Entretanto, boa parte das negociações para a implantação da CBHPM está emperrada.
A Comissão Estadual de Honorários Médicos apresentou a reivindicação às duas entidades que representam o conglomerado de empresas de sáude no Paraná. Segundo Leite, as representantes acenaram com a proposta de que a classificação seja implantada em todo o estado a partir de janeiro de 2006, e apenas para consultas. Não houve menção a mudanças na remuneração por outros procedimentos.
Em Londrina, desde o primeiro semestre os médicos que possuem os convênios devidos estão atendendo usuários de seguradoras através de fornecimento de recibo. A implantação da classificação em caráter de urgência em todo o Brasil está em discussão atualmente no Congresso Nacional.


