Médico alerta para uso fora do contexto ritualístico
Curitiba - A professora Maria Virgínia Cremasco, do Departamento de Psicologia da Universidade Federal do Paraná (UFPR), é orientadora de um grupo de alunos que pesquisa o uso da ayahuasca em centros urbanos. Ela explica porque a procura pela bebida tem aumentado.
"O ayahuasca induz a estados alterados que proporcionam vivências diferenciadas. A pessoa tem acesso rápido a um material psiquíco que faz muito sentido para ela, porque não veio de fora para dentro", diz a psicóloga, que revela já ter experimentado o chá.
De acordo com a professora, quem consome a bebida pode descobrir a razão de algum sofrimento ou angústia - e isso tem um resultado positivo. "Minha única crítica é quanto ao processo se limitar ao ritual. É preciso fazer um trabalho terapêutico em seguida, para encontrar instrumentos e ferramentas que possam dar significado ao que se descobriu. Do contrário, nada muda".
Presidente da Sociedade Paranaense de Psiquiatria, Marco Antonio Bessa compara o ayahuasca ao LSD e alerta para o risco do uso fora do contexto ritualístico. "É mais seguro quando há um controle social, no sentido de tomar o chá em datas e quantidades específicas".
Especialista em dependência química, ele não confirma a eficácia da bebida no tratamento de viciados, como prometem alguns grupos independentes. "Isso ainda é folclore. Na minha avaliação, só se substitui uma substância por outra".
E se o leitor da FOLHA souber que o filho frequenta um grupo ayahuasqueiro? Deve se preocupar? "Esse pai deveria acompanhar o filho. É melhor que o jovem vá a um culto sério do que ao bar, para consumir fumo e álcool, muito mais perigosos", diz Maria Virgínia. Basso, por sua vez, é mais cauteloso. "Cada família tem seus valores. Mas, como pai, eu me preocuparia", conclui. (O.G.)





