Quando falamos em farmácias de manipulação, muitas pessoas logo pensam em remédios homeopáticos ou que não possuem a mesma eficácia do remédio comprado em farmácias tradicionais. O que muitos não sabem é que os remédios manipulados são feitos com a mesma substância ativa presente nos medicamentos de marcas conhecidas, sendo que a matéria-prima utilizada é adquirida dos mesmos distribuidores que fornecem à indústria, sempre atestada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Dessa forma, as farmácias de manipulação oferecem uma gama de produtos alopáticos, cosméticos e fitoterápicos, sendo possível fazer remédios para diversos problemas como depressão, diabetes, pressão alta e até cardíacos, todos produzidos por farmacêuticos com conhecimento técnico.
Cada vez mais procurados pela população, os manipulados proporcionam inúmeras vantagens aos usuários. ''O mais importante é que são desenvolvidos individualmente para cada paciente, enquanto os da indústria são feitos em grande escala e dosagens padronizadas. Ou seja, uma pessoa de 45 quilos fará a mesma utilização de uma de 90 quilos, por exemplo, quando cada uma deveria receber uma dosagem'', explica a farmacêutica Lucimara Dal Col Bertoli, diretora técnica e proprietária da Phloraceae, empresa há 11 anos no mercado, com cinco lojas no país, tendo a matriz em Londrina.
Segundo a farmacêutica, além do produto personalizado, os medicamentos manipulados podem apresentar-se de diferentes formas. ''Uma parte da população sofre de intolerância ou apresenta alergias aos medicamentos manufaturados industrialmente. Sendo assim, desenvolvemos o mesmo remédio em cápsulas, xaropes, líquidos, pós, supositórios ou géis. Podemos também mudar o aroma para crianças que não gostam de determinados sabores ou até mesmo a fragrância para aqueles que não querem cheiro nos cremes'', comenta.
Outra vantagem é a possibilidade do médico prescrever uma fórmula que permita a associação de todas as substâncias necessárias e dosagens exatas num único remédio manipulado, já que algumas doenças precisam ser tratadas com vários medicamentos ao mesmo tempo. ''Devemos lembrar também que, cada vez mais, pessoas têm usado medicamentos manipulados como alternativa a medicina preventiva ou ortomolecular. Como cada organismo é diferente do outro, é possível fazer um medicamento voltado para as deficiências de cada um, de acordo com as substâncias necessárias'', completa a farmacêutica.
Lucimara destaca ainda a economia feita nas farmácias de manipulação, nas quais os remédios geralmente apresentam um preço mais baixo. ''Enquanto os medicamentos comerciais passam por várias etapas até chegar às drogarias, os manipulados encurtam o processo: vêm do fornecedor e já é produzido para o consumidor final. Além disso, todo o dinheiro da indústria gasto com pesquisa para o desenvolvimento de novos fármacos e com marketing é repassado e embutido nos medicamentos''. Ainda segundo ela, outro fator importante é ausência de desperdício, evitando a criação da ''farmácia doméstica'' que pode levar a automedicação. ''O paciente recebe e paga exatamente pela quantidade de remédio que precisa para o período de tratamento, auxiliando na diminuição do uso excessivo de medicamentos sem prescrição'', alerta.
Para a farmacêutica, além das Boas Práticas de Manipulação determinadas pelo Ministério da Saúde e procedência dos materiais, a preocupação com os profissionais do local é indispensável. ''Apesar da vigilância municipal ser atuante, ainda assim a legislação permite algumas brechas para que maus profissionais consigam trabalhar normalmente. Por isso, é fundamental que o consumidor esteja atento se a empresa segue todos requisitos mínimos para manipulação de medicamentos, abrangendo questões relacionadas a instalações, equipamentos, recursos humanos e controle de qualidade da matéria-prima''. De acordo com Lucimara, a Phloraceae possui nove farmacêuticos especializados trabalhando diariamente no controle de qualidade e em pesquisas. ''Temos a consciência de que lidamos com saúde e consequentemente com vida'', afirma.

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