Estudantes de escolas especiais da rede pública e privada da Capital experimentam, até a próxima sexta-feira, a sensação de participar de competições como as que eles vêm acompanhado pela televisão nas últimas semanas durante os Jogos Pan-Americanos e Parapan-Americanos. Os Jogos Especiais de Curitiba têm 1,2 mil participantes que competem em 11 modalidades. São esportes como natação, futebol de salão, volei, atletismo, tibol (adaptação do beisebol) e até golfe.
Renata Daiane Correia Garbiloto, de 16 anos, é uma das favoritas a campeã no atletismo. A aluna do Centro Mercedes Stresser até já foi convocada, durante um campeonato realizado este ano em São Paulo, para representar o Brasil nos Jogos Para-Olímpicos de Pequim, na China, no ano que vem. ''Vou dar de tudo para ganhar medalha lá'', afirma a atleta portadora de deficiência mental.
Renata estuda no período da tarde e treina todos os dias pela manhã. Ela conta que não levava muito a sério a idéia de ser atleta mas depois da convocação para a Para-Olimpíada tudo mudou. ''Pensei que não ia aguentar correr mas agora que estou treinando está melhorando. Tem que lutar bastante. Não pode ficar brincando, precisa ter o pensamento só na corrida. Nos primeiros dias eu achava que era brincadeira. Depois que fui para São Paulo comecei a dar mais valor'', explica a atleta, que também conta com o apoio da família. ''Meu irmão fala que é para eu lutar bastante porque se eu cheguei até aqui não posso desistir.'' O apelo do irmão parece ter surtido efeito. ''Parei de ficar brincando e agora vou treinar bastante para trazer medalha.''
A deficiente auditiva Elaine Ferreira, de 20 anos, participa de um campeonato pela primeira vez. Mas a vontade de vencer é a mesma. ''Quero ser campeã'', anuncia entusiasmada a jogadora do time de futebol de salão do Colégio Estadual de Surdos Alcindo Fanaya Junior. Para o professor de Educação Física do Colégio, Paulo Cézar Ribeiro dos Santos, a ida aos Jogos Especiais é ''uma das mais maravilhosas aventuras'' que esses estudantes já viveram. ''É uma oportunidade de conhecer o mundo aqui fora, saber como funciona uma competição. Normalmente eles ficam confinados, só estudando. Essa semana está uma revolução na escola'', conta o professor. Além disso, Santos ressalta que os atletas especiais têm um espírito esportivo aguçado. ''Aqui não tem discriminação. É um momento exclusivo deles'', avalia.
E a torcida também faz a sua parte. Nos ginásios onde foram realizados os jogos de futebol de salão, os grupos comemoravam a cada gol e a batucada não deu trégua. ''Estar aqui em contato com os demais faz eles sentirem que são importantes, e são. Alguns jogam melhor que os ditos normais. A habilidade é a mesma'', defende Márcia Walter, da comissão organizadora dos Jogos Especiais. A competição é promovida pela Prefeitura de Curitiba uma vez por ano em parceria com universidades locais. Nesta edição a parceira é a Universidade Tuiuti do Paraná, que cedeu as quadras, além de alunos e professores para o trabalho de apoio.

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