Medalhas de ouro da cidade
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quinta-feira, 15 de fevereiro de 2018
Rubia Pimenta<br>Especial para a FOLHA 

Como todo brasileiro, o procopense também é um apaixonado por esportes. O município tem se tornado terra fértil de atletas de renome nacional. Entre os destaques estão o lutador de jiu-jitsu Ericson Niclevicv, o Sony, campeão sul-americano na categoria até 64 kg, em 2017; o judoca Gustavo Alexandre Dias, campeão paranaense e 8º colocado no ranking nacional; e o jogador de basquete Pedro Alexandre Dias, um dos "cestinha" da Taça Paraná. Os três têm em comum a vida em Cornélio Procópio e uma trajetória de sacrifício e determinação.
Sony tem 31 anos, nasceu em Curiúva, e mora em Cornélio Procópio há 10 anos. "Aqui conheci o jiu-jitsu, esporte que mudou minha vida", conta. Apaixonado por lutas desde a adolescência, ele coleciona títulos: em 2014 foi campeão brasileiro e participou do mundial em Abu Dhabi (Emirados Árabes); em 2017 conquistou o paranaense e sul-americano, ambos nas categorias até 64 kg e absoluta (disputa sem diferença de peso). Para atingir seus objetos teve que percorrer uma dura jornada. "Sou funcionário público, trabalho das 8h às 17h30. Ano passado eu fazia três treinos por dia: um na hora do almoço e dois à noite. Parei de beber álcool, tenho uma alimentação regrada, foram muitos sacrifícios, mas valeu cada dia", diz.
A meta para este ano é participar do Campeonato Mundial em março, em São Paulo. "Estou dedicando mais tempo aos treinamentos. Vou até meia-noite todos os dias, mesmo trabalhando, mas é algo que faço com paixão", afirma. Sony afirma que a luta lhe trouxe muitos ensinamentos. "Para o sucesso temos que ter foco, determinação e disciplina, nada vem de graça."
Judô
O incentivo para Gustavo Dias, 17 anos, praticar judô veio do primo Paulo Batista Junior, que é professor da modalidade. "Eu tinha seis anos quando comecei, hoje sou faixa preta". E desde então os títulos só aumentam: foi 7 vezes campeão paranaense e duas vezes vice. Em 2017, ficou em 8º no ranking nacional Sub-18. Mas para isso, foi necessário sacrificar a rotina de adolescente. "Treinava 4 horas por dia, o que comprometeu um pouco o Enem. Foram muitas dificuldades, desde brigas com namorada por falta de tempo, até evitar churrasco com amigos para não sair da dieta. Foco total nos campeonatos, mas valeu a pena."
No ano passado, Gustavo ficou uma semana em São Paulo treinando com atletas da seleção brasileira. "Chamaram para ficar lá, mas não quero parar os estudos". Ele almeja cursar Engenharia da Computação na UTFPR. Atualmente treina no CT Jandozo, e trabalha dando aulas de judô em um colégio da cidade. "Continuarei em Cornélio batalhando para chegar ao Campeonato Brasileiro."
Outra promessa é Pedro Augusto Santos de Oliveira, 14 anos. Apaixonado por jogos da NBA, ele iniciou no basquete há quatro anos. Hoje é titular da seleção de Cornélio Procópio Sub-13, e foi convocado para a seleção paranaense, onde jogou o Campeonato Sul Brasileiro. Em 2017, na Taça Paraná, foi eleito o 5º "cestinha" da competição (jogador com maior número de pontos). Com 1,81 m e 60 kg, ele é um dos destaques do CDBP (Centro de Desenvolvimento do Basquete Procopense) promovido pela UTFPR (Universidade Tecnológica Federal do Paraná), coordenado pelo professor Paulo Cesar Paulino, com o apoio da Prefeitura. "Cornélio tem estrutura para formar ótimos atletas. Fizemos amistosos com equipes do Paraguai, Argentina, muitas experiências boas", diz o adolescente que treina até 4 horas por dia e sonha ser jogador profissional.
AJUDA
Os rapazes são destaques, porém pedem ajuda financeira para continuar treinando. "Ás vezes conseguimos apoio no transporte ou alimentação, mas na maioria das vezes tiramos do bolso para poder competir. Pedimos patrocínio, para elevar o nome da nossa cidade", diz Sony.
A Fecop (Fundação de Esportes de Cornélio Procópio) foi criada para modificar esse quadro. "Não temos sistemas de bolsas no momento, mas a ideia é adequar a lei municipal para fornecer essa ajuda aos atletas do município. Temos oferecido, dentro das possibilidades, transporte, pagamento de inscrições, quando representam o município", afirma o presidente da instituição, Carlos Bonfim. A Fecop mantém escolinhas de várias modalidades, visando inserir crianças e adolescente, bem como promove competições, permitindo práticas esportivas na cidade.


