O sociólogo Fernando Henrique Cardoso, 67 anos, casado com a antropóloga Ruth Cardoso, ingressou na política partidária em 1974, quando Ulysses Guimarães o convidou para elaborar o programa do Movimento Democrático Brasileiro (MDB) para as eleições daquele ano. Já treinado nas lutas contra a ditadura militar, tendo desempenhado papel decisivo na criação do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap), Fernando Henrique contou com a colaboração de outros cientistas sociais para escrever o documento ‘‘Esperança e Mudança’’, com o qual o MDB lançou as bases das campanhas pela convocação da Assembléia Nacional Constituinte e por eleições diretas em todos os níveis, que só aconteceriam dez anos mais tarde.
O cientista que se tornaria presidente da República foi discípulo do professor Florestan Fernandes, considerado o mais importante sociólogo brasileiro. Já no fim da vida, o mestre assistiu à eleição do discípulo para presidente, fazendo oposição a ele. Florestan era deputado federal pelo PT e apoiava Luiz Inácio Lula da Silva. Mas, no dia em que Fernando Henrique fez seu discurso de despedida do Senado, Florestan, já enfraquecido pela doença, dirigiu-se à tribuna para abraçar seu aluno.
Em 1961, Fernando Henrique concluiu o doutorado em Ciências Sociais pela Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da Universidade de São Paulo (USP). Nos dois anos seguintes, fez o curso de pós-graduação no Laboratório de Sociologia Industrial da Universidade de Paris e foi professor de Sociologia e Ciência Política da USP. Após o golpe militar de 1964, exilou-se no Chile, onde desenvolvou e escreveu o seu mais importante trabalho, ‘‘Dependência e Desenvolvimento na América Latina’’, em co-autoria com o sociólogo Enzo Faletto. O livro, que ficou mundialmente conhecido como ‘‘a teoria da dependência’’, é hoje considerado uma antecipação teórica da globalização dos mercados internacionais.
Fernando Henrique é autor de 27 livros, apresentando uma produção intelectual que abrange desde estudos sobre a escravidão no Sul do Brasil, o regime militar, os processos industriais e o papel político dos empresários, à burocracia estatal. Além disso, escreveu dezenas de ensaios sobre o sistema político brasileiro.
O professor e sociólogo Fernando Henrique Cardoso lecionou também nas universidades de Stanfort (EUA), Cambridge (Inglaterra) e Paris-Nanterre (França). Era professor da cadeira de Teoria da Sociologia do Departamento de Sociologia da Universidade de Paris-Nanterre, em 1968, quando um de seus alunos, Daniel Cohn-Bendit, conhecido como Dany, Le Rouge, liderou a rebelião estudantil que paralisou a França e mudou a história da democracia ocidental, desencadeando uma série de protestos estudantis. Neste mesmo ano, como no resto do mundo, os estudantes brasileiros ganharam as ruas.

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