Mazel Tov
Da comunidade de 600 famílias judias, em Curitiba, saem de cinco a dez casamentos por ano. No dia 7 de março, a jornalista Danielle Sommer, 26 anos, e o fotógrafo Rafael Danielewicz, 29, selaram a união numa cerimônia judaica, na sinagoga. Ela, judia de nascimento, passou uma semana sem ver o noivo, que se converteu ao judaísmo. Tradição seguida à risca para aumentar a emoção na hora do casamento.
Na festa, mais tradições reforçam a cultura do povo judeu, como comidas típicas e a dança judaica, em roda e bem animada, onde os noivos são levantados na cadeira para comemorar. Detalhes da cerimônia religiosa, cheia de simbolismos, são relatados pela própria jornalista:
''A noiva usa um vestido branco. A tradição nos conta que D'us enfeitou Chava (Eva), a primeira mulher, para seu casamento com Adam (Adão). Por esta razão, a noiva se enfeita para o seu casamento. Costuma-se usar vestido de cor clara, que indica pureza, já que todos os pecados dos noivos são perdoados no dia do seu casamento. O noivo usa um ''talit'', uma espécie de xale. Isso porque no Monte Sinai, no Grande Casamento entre D'us e o povo de Israel, os judeus tiveram uma visão de D'us envolto em talit (xale de orações). É um antigo costume que a noiva dê ao noivo um talit novo como presente de casamento.
A noiva entra com o véu para trás. Só depois que o noivo confirma que é ela mesma e não outra, ele cobre o rosto da noiva com véu, porque a Presença Divina irradia do rosto da noiva neste momento, e por isto, deve ser coberto. Outro motivo é para indicar que o noivo não está interessado apenas na sua beleza física, mas também está atraído pelas suas qualidades espirituais, algo que ela nunca irá perder.
A cerimônia ocorre sob a chupá, uma cobertura colocada no altar da sinagoga, que representa a casa que o novo casal irá se estabelecer unido. A chupá aberta simboliza o desejo de sempre se ter um lar aberto e acolhedor. A chupá por cima da cabeça dos noivos também simboliza que estas duas almas estavam inicialmente interligadas e unidas e, que seu encontro e casamento, constitui um reunificação. Isto explica a grande alegria de um casamento.
A Ketubá é o contrato matrimonial que especifica as responsabilidades do marido para com sua esposa, como provê-la com alimento, roupas e direitos conjugais. A assinatura da Ketubá demonstra que os noivos nâo vêem o casamento apenas como uma união física e emocional, mas também como um compromisso legal e moral.
Logo no início da cerimônia, a noiva dá sete voltas ao redor do noivo, simbolizando os sete dias da Criação. A entrega da aliança pelo noivo e sua aceitação pela noiva constitui o ato central da santificação do casamento. É um vínculo eterno que fica estabelecido. A aliança deve ser colocada no dedo indicador da mão mais forte da noiva (pode ser a esquerda ou direita).
O ato final da cerimônia é a quebra de um copo de vidro pelo noivo, com o pé, lembrando a todos que mesmo na maior alegria pessoal devemos lembrar a destruição do Templo Sagrado de Jerusalém e continuar a almejar pela sua reconstrução. Depois todos dizem: Mazel Tov, que em hebraico siginifica Boa Sorte/ Parabéns.'' (F.G.)





