Arquivo FolhaFuturoPrimeiras construções são do começo dos anos 30: Londrina era uma explosão anunciada Quem poderia imaginar que já em 1871 o gaúcho Ireneo Evangelista de Souza, depois barão e visconde de Mauá, que foi o homem de sua época mais rico do mundo já chamava a atenção para a existência das terras férteis do Norte do Paraná, e tivesse, por isso, procurado sócios ingleses para uma empreitada gigantesca? O relatório sobre isso foi descoberto no livro do embaixador brasileiro Alberto Faria (Editora Paulo, Pongetti & Cia., Rio de Janeiro, 1926), na qual o escritor recupera a memória de Mauá depois de sua falência.
O relatório citado no livro serviria para Mauá tentar convencer capitalistas ingleses a investirem na arrojada empreitada de construir uma estrada de ferro entre os portos de Antonina e Paranaguá e daí com a Bolívia, para unir os oceanos Atlântico e Pacífico através da Cordilheira dos Andes e trazer para o Brasil o escoamento da produção de toda aquela região, incluindo-se o Mato Grosso. Segundo o livro, o projeto se resumia da seguinte forma: ‘‘A estrada de ferro primeiramente sairá de Curitiba a Campo Largo e Palmeira; daí ganhará o Vale do Ivaí passando pelas terras férteis do Norte do Paraná e atravessará o Rio Paraná em direção à cidade de Miranda, em Mato Grosso’’.
Mílton DóriaReprodução de página do livro: o barão pensava na frente (Foto de Mílton Dória)
Terras baratas‘‘Deste limite - apontou Mauá - a linha se ramificará para o Norte em direção a Cuiabá e para Oeste na direção da Bolívia, atravessando o Rio Paraguai em frente ao Capão da Queima, povoado de Chuquisaqua, até a cidade de Sucre, antiga Capital, e daí a Potosi e Oruro, onde estaria ligada ao Oceano Pacífico’’. Seguem no relatório aspectos específicos e descritivos das regiões brasileiras ‘‘por onde a linha férrea deverá passar’’. Chama a atenção que o documento finaliza enfatizando: ‘‘As terras férteis do Norte (do Paraná) são baratas e as propriedades poderão ser adquiridas em grande extensões’’. Não estaria aí o primeiro apelo de venda para o desbravatamento da região? Faltou apenas dizer que por aqui não havia saúvas...
O projeto foi anexado ao relatório e assinado por Mauá, Christian Palm, lorde W. Lloyd, Antonio Pereira Rebouças e Thomas Cochrane, nome que sempre esteve ligado a estradas de ferros no mundo. ‘‘Palm foi o idealizador técnico do projeto e trouxe a experiência de construir estradas de ferro na América do Norte. Quando chegou ao Rio de Janeiro, para expor suas idéias a Mauá, ele mostrou uma carta de apresentação do príncipe herdeiro Oscar, mais tarde rei da Suécia. O rei foi um grande incentivador do projeto’’, diz o livro.

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