Com apenas 30 anos, Silvia Hulse de Souza acumula um currículo vasto. Formada em Agronomia pela Universidade Estadual de Londrina (UEL), já concluiu mestrado e doutorado. No meio disso, realizou um ano de estudos num instituto de pesquisa da França, que foi possível pelo ''programa sanduíche'', a partir de um convênio de intercâmbio que a universidade possui. ''No início dos estudos, não tinha pretensão de ir para fora. Mas as oportunidades foram surgindo e não poderia deixar de aproveitar'', conta ela, cujo trabalho ''Estresses abióticos em café'' foi o primeiro da área no País.
Para concorrer à vaga, foi um ano de preparação. ''Nesse tempo, tive de organizar toda a documentação, certificado de proficiência no idioma e o visto.'' Com tudo certo, conseguiu a bolsa de estudos com a ajuda de sua orientadora. Segundo ela, o que recebia era suficiente para se manter no país, ''mas sem extravagâncias''. ''Meu tempo lá era voltado exclusivamente para a pesquisa'', lembra a jovem doutora, que passou a temporada no laboratório de Genoma e Biotecnologia Vegetal do Instituto Internacional de Pesquisa Agronômica do Governo Francês (Inra).
Silvia diz que a experiência lhe trouxe maturidade e independência profissional. ''Digo que valeu muito a pena ter ido. Principalmente, porque achamos que o Brasil sempre está atrasado no ramo de pesquisa. Lá, os recursos e suporte funcionam muito mais rápido. Mas é só isso. Em nada devemos na qualidade de tecnologia. Aprendi a me virar sozinha e a ter jogo de cintura'', conta. Assim que terminou o doutorado, Silvia já foi integrada como bolsista num projeto de café no Instituto Agrônomico do Paraná (Iapar). (M.T.)

mockup