Sem atrasos e imprevistos ocorreu a cerimônia de casamento da fisioterapeuta Flaviana Martins de Souza, 30 anos, em dezembro de 2008. Ao som da Marcha Nupcial, ela adentrou à belíssima Paróquia Santa Teresinha do Menino Jesus, no Batel, decorada com simplicidade, quatro arranjos de flores brancas intercalados com velas, seguindo as normas para celebração do matrimônio estipuladas pela Arquidiocese de Curitiba. "Assim pudemos apreciar a beleza da igreja que é muito bem conservada. Foi um sonho. Acho horrível noiva chegar atrasada, é um desrespeito com os convidados, com o padre e com a noiva que casa no horário seguinte", observa.
"Achei importante a igreja colocar um pouco de regra para conter exageros. Fui a casamentos que teve música do U2 e gelo seco na entrada da noiva. Hoje só e permitido música clássica e sacra. Ao invés de ser um ato litúrgico, a celebração estava virando uma festa", disse Flaviane, que marcou a data do casório na Santa Teresinha, disputadíssima pelas noivas, com um ano de antecedência. Também pesou na escolha da paróquia a localização central, de fácil acesso e bem servida de hotéis e salões de cabeleireiros para o conforto dos convidados.
"A minha paróquia era para ser a dos Passarinhos no Bigorrilho. Mas a minha família é do interior de São Paulo e Minas Gerais. Vieram 130 convidados de fora. O casamento na Santa Teresinha facilitou a minha vida", justifica Flaviane. A igreja, construída em 1941, é uma das tradicionais paróquias casamenteiras de Curitiba, no ano passado, lá foram realizados 85 matrimônios. Boa parte acontece aos sábados à noite, às 18, 19 e 20 horas. Esse número já foi maior, há 20 anos, quando aconteciam mais casamentos de dia, segundo a secretaria paroquial.
Para se casar na Paróquia Santa Teresinha precisa estar de acordo com outras regras, como contratar o cerimonial da própria igreja. A Secretaria Paroquial afirma que a instituição tomou essa medida para acabar com os abusos dos cerimoniais e o desrespeito dos noivos, que queriam muita ostentação na cerimônia. Também é proibida a tradição de jogar arroz nos recém-casados, para evitar acidentes na escadaria - uma senhora já escorregou no local por esse motivo.
"Os casamentos nos dão muita dor de cabeça. As noivas se lamentam porque querem mais padrinhos, algumas se atrasam. Elas chegam aqui com um sonho na cabeça e esquecem que a igreja é um lugar sagrado. O sacramento do matrimônio é que deve ser o mais importante e não a festa social", critica a secretária paroquial, Ester.
A Paróquia Santo Agostinho, no Ahú, no topo da lista das igrejas casamenteiras de Curitiba, realiza em média 200 casórios, por ano. Depois que foi inaugurada, em 1983, esse número chegou a 300. Até 2008, a paróquia registra quase 6,5 mil casamentos celebrados. "Imagine que até em agosto, mês que as noivas evitam se casar, temos casamentos agendados, inclusive três no mesmo dia", conta o padre Raimundo Stavitzki. Segundo o pároco, cerca de 95% dos casamentos celebrados na Santo Agostinho são de casais transferidos de outras paróquias. Os armários da secretaria da igreja estão cheios de processos de transferência de casamentos.

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