Curitiba - Praia larga, com espaço para banhistas e crianças brincarem, uma bela avenida com muito verde e locais para estacionar carros, uma calçada para caminhadas e passeios, ciclovia, bancos confortáveis para apreciar a vista. Isso é o que todo banhista espera e mais deseja quando busca um local para passar as férias. Infelizmente, essa realidade tem se tornado distante dos frequentadores de Matinhos, no Litoral paranaense. As constantes ressacas do mar e também a ação irregular do homem têm tornado difícil deixar a praia com o clima de paraíso que ela merece.
Há pelo menos dez anos, população e governos falam sobre projetos para engordar a faixa de areia das praias, necessidade que se tornou ainda mais urgente após a ressaca que atingiu o Litoral em 2001. Sem as obras, quem sofre com a situação são os moradores e veranistas. A faixa de areia, hoje, chega a ter menos de 50 metros em algumas praias do município. Na Praia Brava, na região central de Matinhos, a água tira a cada ano um pouco mais do calçadão dos pedestres. Nas ressacas, a água do mar alcança as ruas e invade casas e estabecimentos comerciais localizados próximos à orla.
Os moradores sonham com as melhorias mas estão cansados de promessas e, como São Tomé, querem ver as máquinas na areia para ter certeza de que o projeto vai mesmo se concretizar. ‘‘Falta um JK aqui, alguém que assuma esta obra e faça. O problema de Matinhos nunca foi dinheiro, mas sim administração, faltou vontade política’’, reclama o artista Gilmar Silva, natural de Cruzeiro do Oeste e morador de Matinhos há 11 anos.
A família do aposentado Alceu Dallicani, que tem casa há 28 anos em Matinhos, lembra da praia no tempo em que as ressacas ainda não tinham consumido a faixa de areia. ‘‘A ressaca levou de 12 a 15 metros de terra’’, avalia. Espedita, a esposa, lembra que ‘‘antigamente’’ as pessoas aproveitavam muito mais a orla. Na Praia Brava, além da faixa de areia mais larga, havia uma extensão em grama, grandes bancos, e áreas de recreação, com duas canchas de futebol e uma de vôlei.
‘‘O mar foi comendo a praia devagar’’, diz ela. O marido conta que, apesar dos imóveis terem sofrido desvalorização, ele nunca pensou em vender a casa. ‘‘Há dois anos tinha muita casa para vender por aqui, agora estabilizou, os imóveis começaram a valorizar de novo’’, conta. De acordo com ele, a família aproveita bastante a casa. Fora da temporada, ele e a esposa vão pelo menos seis a sete vezes para o Litoral. Agora, no verão, junto coma filha Letícia e os netos Maurício, de 7 anos, e Lucas, de 3, só devem subir a serra para Curitiba em março.
Em um guarda-sol próximo, o aposentado Luis Santos, 63 anos, que mora em Curitiba, conta que comprou uma casa na região da Praia Brava há seis anos. ‘‘Comprei aqui porque gostamos do lugar’’, diz. A neta Letícia, de apenas 13 anos, diz que é notória a diferença. ‘‘O mar começou a subir, onde estão as pedras, hoje, era calçada, e o espaço para caminhar foi diminuindo’’, conta. Santos lembra ainda que, por causa desse problema, muitos imóveis localizados na beira da orla foram colocados à venda.
Sem iluminação
Além do problema da erosão, os comerciantes também reclamam que enquanto o balneário de Caiobá, onde concentram-se os veranistas de maior poder aquisitivo, tem toda infraestrutura, as praias do centro de Matinhos e demais balneários sofrem com a falta de equipamentos. ‘‘Por que só Caiobá tem iluminação pública, bancos no calçadão? Da ponte pra cá não tem nada disso’’, reclama o comerciante Laurival Paulo Pereira, 46 anos, natural de Matinhos e que há 18 anos tem uma lanchonete na avenida Beira-mar. Sem iluminação, segundo ele, à noite as pessoas preferem ir para outras praias. ‘‘Fico prejudicado, tenho que fechar de noite’’, afirma.
A administradora Rosane Conorat, que junto com o marido Eduardo Fonseca, toca a Lanchonete Cantinho da Leocádia, na Beira-mar em Matinhos, decidiu abordar o assunto em seu trabalho de conclusão de curso. ‘‘É preciso fazer um trabalho de urbanismo, colocar iluminação no calçadão, instalar bancos ao longo da orla, chuveiros para dar mais conforto ao turista, lixeiras para evitar que joguem lixo na praia, faltam acessos para a areia. Meu trabalho mostrou que com a revitalização da orla, o comércio expande e o turismo aumenta’’, diz. (Continua na página 2)

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