Mata de araucárias pode se transformar em parque
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 20 de junho de 2001
Katia Baggio De Apucarana Especial para a Folha 
Uma área verde de 85 mil metros quadrados em Apucarana poderá ser transformada em um parque ecológico (Parque das Araucárias). A mata faz parte dos 235 mil metros quadrados de propriedade de Teruo Nakagawa, que serão transformados em loteamento. A prefeitura soube da existência das araucárias e da notícia do corte de pelo menos 120 árvores cinquentenárias para dar lugar ao empreendimento e, no início do ano, baixou um decreto impedindo o corte. Ao mesmo tempo, informou o fato ao Ministério Público (MP), que entrou com uma ação civil pública contra o proprietário.
Em fevereiro desse ano, o juiz da 2ª Vara Cível de Apucarana, Katsujo Nakadomai, acatou uma liminar proibindo o abate dos pinheiros. As árvores compõem um rico ecossistema, junto com os córregos Tarumã e Ouro Fino e animais silvestres, especialmente de uma grande variedade de pássaros.
Conforme o promotor público de Apucarana, Eduardo Nagib Matni, a ação se estende contra o Instituto Ambiental do Paraná (IAP), que concedeu a licença à loteadora para cortar as árvores, baseada na legislação que autoriza o corte de determinadas espécies. No final de maio, foi feito um acordo entre representantes do loteador, prefeitura, Ministério Público e IAP e a área foi doada ao município, que ficou responsável por cercar o local e promover um estudo para a criação de um parque ecológico.
Mas a liminar ainda vale e a ação não foi extinta porque o Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama), reunido em maio, em Joinville (SC), propôs uma nova resolução para preservação da mata atlântica, com abrangência a outras espécies, entre elas a araucária. O promotor disse que está aguardando a aprovação da resolução, em Brasília, para conhecer o teor da lei e avaliar se o acordo não fere a nova determinação federal. Não posso tomar uma decisão, sabendo que está em tramitação uma nova lei que diz respeito ao assunto, afirmou. O promotor também está preocupado com uma nova área definida pela loteadora para compor o terreno a ser urbanizado. O local também tem pinheiros, em menor quantidade.
O secretário de Planejamento e Urbanismo de Apucarana, Ivo Gilberto Martins, espera transformar os 85 mil metros de área em parque ecológico. Estamos esperando a extinção do processo pelo Ministério Público para iniciarmos um estudo de viabilidade do parque, disse. Conforme o secretário, é possível que uma casa de alvenaria construída há quatro décadas dentro da área seja restaurada e aproveitada como um centro de educação ambiental.
A prefeitura pretende pleitear a arrecadação de ICMS ecológico junto ao governo estadual, com base na importância da preservação da araucária, mas depende da aprovação de um projeto para o futuro parque. A área fica próxima ao Parque da Raposa e integra a bacia dos dois córregos (Tarumã e Ouro Fino), que por sua vez formam a chamada Represa do Schimidt.


