Hoje, os riograndenses e tradicionalistas espalhados por todo o Brasil comemoram o Dia do Gaúcho. Por aqui, a sede do Centro de Tradição Gaúcha (CTG) Vinte de Setembro, no bairro do Pinheirinho, o segundo mais antigo do Paraná, realiza a 44ªSemana Farroupilha que encerra no próximo domingo. No Estado, mais de 300 mil pessoas são filiadas ao Movimento Tradicionalista Gaúcho do Paraná (MTG-PR), dividido em 17 regiões. Só em Curitiba e Região Metropolitana, existem mais de 55 CTGs que promovem rodeios com apresentações das invernadas campeiras, artísticas, esportivas e culturais.
  Nos rodeios ou eventos festivos, os gaúchos criam um mundo à parte para vivenciar todos os seus costumes: fandangos, tertúlia (roda de viola e gaiteiro), saraus, churrascadas, tomar chimarrão, comer feijão tropeiro e arroz carreteiro, assar costela em fogo de chão e lembrar dos tempos que viviam na terra natal. O encanto fica por conta das danças folclóricas, são 25 modalidades apresentadas pelas invernadas (departamentos) de dança de cada CTG. As mais tradicionais são pezinho e balaio.
  Para participar dos encontros é preciso estar devidamente caracterizado com os trajes gauchescos, como é previsto no regulamento do MTG. O peão (homem) deve vestir-se com bombacha, camisa, lenço, chapéu e bota. Já a prenda (mulher) te que usar vestido típico – não podem ficar à mostra braços, pernas e busto – bombachinha, saia de armação, meias e sapatos. Os cabelos ficam presos pela metade com uma fivela ou flor, no caso das moças, enquanto que as senhoras prendem as madeixas num coque. No CTG do Clube Santa Mônica, fundado em 1989, existe um local só para guardar o vestuário típico gauchesco.
  As regras quem ensina é Helenita Terezinha Kaefer, de 54 anos, diretora de relações públicas e projetos do MTG-PR e filiada ao CTG do Santa Mônica, que possui 150 associados. ‘‘Gaúcho não quer dizer que nasceu no Rio Grande, mas que se comporta e vive como um tradicionalista. Cerca de 30% dos filiados não são riograndenses. O gaúcho não deixa nunca morrer seus costumes’’, explica ela que tinha 15 anos quando deixou São Luiz Gonzaga, na região das Missões para morar com os pais em Cascavel. Há seis anos reside em Curitiba. ‘‘Fiquei impressionada como tem gaúcho nessa cidade’’, disse a empresária aposentada.
  Segundo Helenita, os CTGs foram criados em 1935, por estudantes gaúchos que moravam em Porto Alegre e tinham saudade dos hábitos do interior. O tradicionalista Glauco Saraiva escreveu uma carta de princípios do movimento, há 50 anos, que foi tombada e até hoje é seguida à risca pelos associados. Nos rodeios são realizados campeonatos de dança, poesia, canção, de peão e de prenda, provas de laço (com o boi) e gineteadas (dominar um cavalo não-adestrado) tudo muito organizado e regulamentado. Os vencedores de cada estado disputam o concurso nacional.
  ‘‘No caso do concurso de prenda a beleza não é considerada, apenas a graciosidade. A pontuação vem do conhecimento que a prenda tem das tradições gaúchas. Além disso, ela precisa ter o talento artístico e saber fazer algum artesanato. São esses os critérios de julgamento. Eu sou a prenda veterana do Paraná e tudo que sei aprendi com minha família’’, informa a orgulhosa Helenita, apontando para sua faixa e belamente ‘‘pilchada’’.


SAIBA MAIS

Vocabulário gauchesco:
bolicho – bar
bombacha – calça larga aboatada no tornozelo
cambona – chaleira
cusco – cachorro
fandango – bailes
guaiaca – bolsa de couro costurada num cinto preso a cintura onde se ecarrega dinheiro e até arma
invernadas – departamentos (dança, esportiva, cultural, campeira)
pilcha ou pilchada– vestimenta típica gaúcha
pingo – cavalo
patrão – presidente de um CTG
peão – homem
prenda – mulher
querência – lugar de origem
rancho – sede
rodeio – grandes festividades
sarau – debut gaúcho
trempe – triângulo que segura chaleira em fogo de chão
Fonte: CTG do Clube Santa Mônica

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