Rio - Cinquenta anos depois do primeiro concurso oficial, a primeira Miss Brasil continua em pleno exercício do seu reinado. Martha Rocha tem uma agenda de miss. Viaja pelo país participando de concursos de beleza e por onde passa é abordada por admiradores de todas as idades.
Para satisfazer a curiosidade de quem quer conhecer um pouco do que foi o glamouroso mundo das misses, uma exposição com cerca de 400 peças do acervo pessoal dela percorrerá o país a partir junho.
O maior desafio dos organizadores é recuperar os troféus de segundo lugar no Miss Universo e o troféu extra-oficial que recebeu em Porto Rico. Eles foram roubados durante o velório de sua mãe em Salvador, em 1975, e nunca mais foram encontrados. A faixa de Miss Brasil, também está desaparecida. ''Eu não tenho noção do que aconteceu. Em tantas mudanças de casa, emprestei a faixa para alguém que não devolveu.
Talvez não tenham valor para quem esteja com eles. Espero que me procurem para devolver'', disse Martha, que já foi avisada de que os troféus passaram por antiquários, mas não conseguiu recuperá-los.
Gustavo França, o empresário de Martha que está organizando a exposição, conta que, por via das dúvidas, mandou fazer réplicas dos troféus e da faixa, que serão expostas entre fotos, capas de revista e objetos pessoais. ''Cerca de 60% do material nunca foi visto. Encontrei dentro de caixas coisas que Martha nem lembrava'', disse. As reproduções de trajes usados por Martha, como o vestido verde com ornamentos que imitam folhas de café que ela usou na cerimônia em que recebeu o prêmio em Porto Rico, devem ser as principais atrações.
Entre as fotos, a eterna miss poderá ser vista ao lado de personalidades, como o casal Kubitschek, o astro de Hollywood Tony Curtis, o príncipe Charles e a rainha da Inglaterra, Elizabeth II. Uma das imagens recuperadas registra o encontro com o presidente Getúlio Vargas, que recebeu a miss recém-eleita poucos meses antes de suicidar-se. ''Ele perguntou de cada um dos meus irmãos. Teve a gentileza de se informar sobre mim antes de conversar comigo. Senti muito a morte dele quando fiquei sabendo nos Estados Unidos'', lembra Martha.
Aos 67 anos, o sorriso e o brilho dos olhos azuis continuam encantando. Ela ainda recebe dezenas de correspondências por semana, algumas delas até com pedidos de casamento. ''Sempre atendo as pessoas e retribuo o carinho que recebo. Nunca tive um gesto brusco. Acho que isso me fez ficar na ordem do dia nesses 50 anos'', afirmou.
Ao recuperar-se de um câncer, ela foi viver com o filho em Volta Redonda, no Sul Fluminense, e resolveu permanecer na cidade, apostando na qualidade de vida do interior. Na ampla casa que acabou de comprar, dedica-se à pintura. Apesar de viver longe do mar, as telas expressionistas reproduzem paisagens marinhas. ''Costumo dizer que tenho o mar, as rochas, tudo dentro de mim. A inspiração vem de dentro e o mar que pinto é o da Bahia da minha lembrança, que mantém um lugar especialíssimo no meu coração'', diz a baiana, que se diz uma brasileira acima de tudo. ''Eu poderia ter escolhido viver em qualquer lugar do mundo, até em castelos da França, diante das oportunidades que tive. Acusam-me de caipira, mas tenho mesmo é amor pelo Brasil''.

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