Marco histórico em transformação
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segunda-feira, 11 de maio de 2009
Denise Ribeiro<br> Equipe da Folha 
O estandarte da época da fundação, em 1888, continua lá, e é exibido logo na entrada do clube. Desde quando o local era o ponto de encontro de abolicionistas e ex-escravos, a Sociedade 13 de Maio passou por muitas fases distintas. A mais recente delas é marcada por parcerias com grupos de jovens artistas e produtores culturais que reconhecem no local um importante centro de referência para a cultura de Curitiba, mas que precisa de apoio para não ter sua história relegada ao esquecimento.
Amanhã, uma programação especial vai comemorar o aniversário de 121 anos da casa com apresentações de capoeira, afoxé, samba, entre outros. A comemoração terá início com uma missa, às 17 horas, na Igreja do Rosário, antiga sede da extinta Irmandade de Nossa Senhora do Rosário e São Benedicto dos Homens Pretos de Curitiba, outra referência da comunidade negra curitibana até o início do século XX.
"Estamos tentando colocar eventos culturais aqui que sejam interessantes, para que os antigos da casa também voltem a frequentar e para que o pessoal de hoje consiga dialogar com os antigos. Antes de ser a nossa casa era a casa deles", explica a produtora cultural Brenda Maria, coordenadora da comemoração dos 121 anos da Sociedade 13 de Maio. Além dos artistas e do público, também foram convidados para a festa pesquisadores do Núcleo de Estudos Afro-brasileiros da Universidade Federal do Paraná.
De acordo com o presidente do clube, Álvaro da Silva, a casa está se abrindo à renovação. "A gente vai ter que aceitar a modernidade. Nossa situação financeira é péssima, a gente luta com muita dificuldade. Com essas parcerias desenvolveu 80%. Vai ser 100% quando não dever mais nada", avalia o presidente, que está no posto há 15 anos. O presidente anterior foi seu pai, Euclides da Silva, que comandou o clube por 40 anos. E antes dele, o presidente Demétrio da Costa também havia ficado no comando por outros 40 anos. "Era um reinado", afirma Álvaro da Silva, que aponta a falta de informação sobre o clube como uma das causas da fase ruim. "Era muito mais fechado, não tinha divulgação. Os que vêm aqui no 13 hoje não sabem a história do 13. Agora é um espaço aberto para eventos relacionados ou não à cultura negra", ressalta o atual presidente.
Entre as atividades regulares da Socidade 13 de Maio está a "domingueira". Todos os domingos, das 14 às 17 horas, o clube realiza um baile para os idosos, com a apresentação do grupo Som da Terra. Depois do baile, às 20 horas, o grupo Areia Branca transforma o salão num espaço reservado para o forró. Já no sábado, a partir das 23 horas, a atração é o grupo Serenô - sambas e afins. "O grupo começou na casa, saiu por um período e agora voltou. Tocar numa casa que abrigou cultos afro-brasileiros é muito legal. É a associação de uma casa tradicional com um grupo que mistura sambas de raiz que as pessoas já conhecem, com músicos que estão fazendo composições agora com esses mesmos ritmos", observa a cantora do Serenô, Roseane Santos.
Regente do grupo Maracatu Estrela do Sul, Guilherme Camargo Handa diz que percebeu uma evolução do clube desde o ano passado, quando as parcerias iniciaram. "A gente tem que ajudar de alguma forma, não só tocar e ir embora. Procuramos levar coisas mais voltadas para a cultura popular brasileira, que é o perfil da casa. A gente sente quando entra lá que tem uma energia muito boa. Esse ano, eu senti que deu uma reavivada, uma crescida. Dá pra sentir que vai continuar firme e forte", afirma Handa.


