Marcha não teve similar
Marcha não teve similar
O início da ocupação do Norte paranaense à margem esquerda do Rio Tibagi não se deve ao projeto inglês. Londrina foi precedida por Sertanópolis e Primeiro de Maio concessões de 1916 respectivamente a Leopoldo de Paula Vieira e Corain & Cia.; por São Roque (atual Tamarana), povoado surgido em 1920. A Noroeste existia a Fazenda Brasileira, que daria origem a Paranavaí. E mais remoto, Santo Inácio, no lugar de uma redução jesuítica à margem do Parapanema. O modelo de pequenos lotes em Londrina determinou um surto de prosperidade sem precedentes no País.
Tudo começou em agosto de 1929, com a fundação da cidade, seguindo-se um período de poucas vendas, por razões diversas revoluções internas, quebra da Bolsa de Nova York, surtos de malária e febre amarela na área de colonização. Mas o que se viu depois não tem similar em qualquer das grandes marchas para o Oeste nos últimos 200 anos em vários pontos de um continente ocupado a partir da costa oriental, nem mesmo durante a grande marcha nos Estados Unidos, após a Guerra Civil. Esta comparação é feita por Mário de Almeida no suplemento Paraná, a vida depois do café (Exame nº 610).
A expansão da colonização de Londrina para noroeste fez o Paraná saltar de 1,350 milhão habitantes em 1940 para 6,9 milhões em 1970. Em apenas 30 anos, a população estadual cresceu cinco vezes, e 51,3% (cerca de 3,5 milhões) se encontravam ao Norte.
Com a erradicação do café, consumada após a geada de 1975, cerca de 700 mil mil pessoas deixaram o Norte/Noroeste, porém Londrina não parou de crescer. Aos 70 anos, é o segundo município paranaense, com aproximadamente 468 mil habitantes (segundo o Ippul) e mais de 285 mil eleitores.
O crescimento superou as expectativas dos colonizadores e dos governos. Após 1945, a cidade passou a depender de si própria para fazer a infra-estrutura urbana, porque o Estado perdeu o compasso, estava sempre atrasado. Água e esgoto, telefone, novas diretrizes de zoneamento refletem decisões lúcidas dos prefeitos, que recorreram à própria comunidade para realizá-las. Não sobrava dinheiro para incentivar a industrialização, mas a cidade ganhou fôlego e suportou o período de transição ao término do ciclo do café. Graças à infra-estrutura, mais indústrias estão chegando agora. E não demoraram, afinal a cidade tem apenas 70 anos, desde a abertura da primeira clareira na tarde de 21 de agosto de 1929. (W.S.)





