Apesar do clima de ''bateu na trave'', conforme comentavam alguns correligionários na entrada do comitê eleitoral, Marcelo Belinati (PP), que sempre liderou as pesquisas de intenção de voto para a Prefeitura de Londrina, preferiu comemorar ''o carinho'' que recebeu dos eleitores e mostrou motivação para a disputa contra o novato Alexandre Kireeff (PSD) no segundo turno. ''As pesquisas mostravam uma possibilidade de haver um fechamento da eleição já no primeiro turno, mas as pesquisas mostram a situação do momento. O que eu quero é agradecer a votação esmagadora que nós tivemos hoje.''
Ainda com o resultado parcial das urnas, Marcelo deixou a sua residência, na Zona Sul de Londrina, e seguiu para a sede da coligação, onde concedeu as primeiras entrevistas à imprensa enquanto o número de militantes ia aumentando no local. Vereador com dois mandatos e pela primeira vez concorrendo ao Executivo, Marcelo reforçou o discurso de que a campanha segue ''da mesma forma, sempre propositiva, sem intrigas, levando as nossas propostas''.
Marcelo considerou que o eleitor londrinense ''optou por mudança'' ao deixar de fora candidatos com maior experiência no Executivo, como os ex-prefeitos Luiz Eduardo Cheida (PMDB) e Barbosa Neto (PDT). Sobre as conversas com os partidos para novas alianças, ele disse que ainda não tinha como avaliar. A coligação encabeçada pelo pepista reúne outros 13 partidos e chegou aos 12 minutos de propaganda no rádio e na TV. No segundo turno, cada candidato terá dez minutos, independente da coligação.
Ao ser questionado se cogita a presença do tio e padrinho político, o ex-prefeito Antonio Belinati, nos programas eleitorais na campanha, ao contrário do que ocorreu até agora, Marcelo se mostrou incomodado. ''Novamente esta questão. Vamos avaliar todas as ex-administrações, Wilson Moreira, o Cheida, o Belinati, o Barbosa Neto, e aproveitar as boas experiências destas administrações'', desconversou. Diante da insistência da imprensa, Marcelo retrucou. ''O Belinati é meu tio sim, e eu não nego minha família, mas temos as nossas diferenças.'' Ele lembrou que na época da cassação de Belinati fazia o curso de medicina na UEL. Mais cedo, em rápido discurso para os apoiadores na frente do comitê, disse: ''Eu tenho a minha vida limpa'', arrancando aplausos.
Comedido, o candidato a vice, Junker Grassiotto (PSDB), fez uma avaliação positiva da presença do ex-prefeito na campanha. ''O Antonio teve uma participação importante no processo, mas eu não tenho condições de dizer agora como será a participação dele daqui para frente.'' Junker negou que a estratégia para o segundo turno seja ''colar'' em Kireeff a imagem de candidato da ''elite'', na contramão de questões com apelo mais popular. ''Creio que não é bem assim, os dois têm o mesmo nível de formação e conseguiram votos em todas as regiões.''
Sobre a derrota, em Curitiba, de Luciano Ducci (PSB), apoiado pelo governador Beto Richa (PSDB), Marcelo foi diplomático. ''Sei que minha responsabilidade é muito grande, mas não tenho como fazer essa análise política agora'', disse ele, evitando dizer se seria agora a principal aposta do governador.


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