O gerente de marketing da Schweitzer do Brasil, multinacional da área de papéis para cigarro, Guilherme Silva da Costa, não acredita muito no crescimento do setor de rolling papers (sedas). Segundo ele, existem dois segmentos distintos para esses produtos: um de baixo custo, que é mais presente no Norte e Nordeste do País, onde ainda é comum o uso desses papéis para manufaturar cigarros de tabaco; e outro setor "premium", que engloba produtos mais especializados, de qualidade e preço superiores, que seriam mais consumidos por jovens. Este segundo tipo, na opinião de Costa, representa um mercado muito pequeno em relação à indústria do cigarro. "Pode até crescer mais, mas nunca irá se comparar ao mercado de tabaco", diz.
Essa percepção, no entanto, talvez desconsidere uma iniciativa brasileira que vem se firmando no mercado internacional dos rolling papers e colocando o Brasil no mapa da produção das sedas premium, atualmente dominado pelos produtos estrangeiros. Em 2006, começaram a ser vendidas as folhas para enrolar tabaco da marca aLeda (trocadilho de seda). Formada por 94% de celulose e 6% de água, esse papel transparente (semelhante a um pedaço de plástico) logo ganhou adeptos no mercado interno e externo, atingindo hoje mais de 56 países nos cinco continentes.
O paulistano Renato Volonghi, 29 anos, um dos idealizadores da marca, conta que começou com uma produção de 500 livretinhos, que foram distribuídos primeiramente nas bancas de revistas da Avenida Paulista, no Centro de São Paulo. Segundo ele, as primeiras unidades foram vendidas em 48 horas. Na segunda leva, a produção saltou de 500 para 2.500 livretos, depois para 5 mil, 10 mil até chegar ao patamar do ano passado, que foi de 3 milhões de unidades produzidas. Segundo ele, sessenta dias após o lançamento, em julho de 2006, aLeda estava consolidada no Mercado. Em dezembro do mesmo ano a marca já estava presente em 40 países.
O ingresso no mercado internacional começou de forma tímida, através de amigos que levaram o produto para a Europa e distribuiram amostras em festas de música eletrônica. Renato enfatiza que o produto é fabricado para os usuários de tabaco. Sobre o chamado "mercado paralelo" desses produtos (utilizados por quem gosta de enrolar outra coisa), o empresário prefere não se pronunciar.
O que é fato é que em outros países onde é tolerado o consumo de maconha, ele pode acabar sendo usado para outros fins. Prova disso é que aLeda já conquistou diversos títulos em competições voltadas ao público canabista.
Se no Brasil as campanhas publicitárias ainda são tímidas, no exterior, atingem diretamente a esse púbico alternativo, com anúncios em revistas especializadas. (A.A.)

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