Envolta por um misto de expectativa e glamour, a apresentação das novas ''Sete Maravilhas do Mundo'', programada para 7 de julho, próximo sábado, no Estádio da Luz, em Lisboa, Portugal, vai muito além das aparições da cantora porto-riquenha Jennifer Lopez, do técnico de futebol Luiz Felipe Scolari ou do neogalã Cristiano Ronaldo. Para os brasileiros, o show fica em segundo plano: interessa, e muito, saber se o Cristo Redentor compõe a lista.
Disputando com adversários tais como a Acrópole, em Atenas, na Grécia; a Estátua da Liberdade, cartão-postal de Nova York, nos Estados Unidos; a imponente Ópera de Sidney, na Austrália, entre outros, o Cristo enfrenta um total de 20 oponentes na finalíssima. A constar: os monumentos candidatos ao posto de novas sete maravilhas estão em 21 países, que representam 85% da população mundial. O páreo não é nada fácil!
Idealizada pelo suíço Bernard Weber, a iniciativa foi lançada em 2000 pela fundação New 7 Wonders. O objetivo? Selecionar as novas sete maravilhas do mundo, por meio do voto popular, pela internet ou por mensagens de celular (SMS). Até a última semana, haviam sido registrados 50 milhões de votos.
Para alavancar os índices de popularidade, despertar a veia nacionalista e, consequentemente, obter maior votação, santo de casa definitivamente faz milagre. Enquanto os indianos pintam o Taj Mahal no rosto, Chichén Itzá, representante mexicano na disputa, teve seu ''debut'' na internet, precisamente no mundo do Second Life.
Os brasileiros, por sua vez, não ficam atrás. O presidente Luis Inácio Lula da Silva já vestiu a camiseta alusiva ao Cristo. A curvilínea atriz e modelo Viviane Araújo - ex-senhora Belo - sambou diante da estátua, de 38 metros de altura, projetada pelo brasileiro Heitor da Silva Costa, concebida pelo escultor francês Paul Landowski e inaugurada em 12 de outubro de 1931.
Em Londrina, a situação não é diferente. O promotor de eventos Giovane Mendes, 21 anos, já perdeu as contas de quantas vezes entrou no site oficial da disputa para registrar seu voto. Para Giovane, num país tão heterogêneo, o Cristo é um dos poucos fatores que geram unanimidade.
''Conheci o Cristo em 2002. Aliás, foi e é automático: o primeiro passeio de quem vai ao Rio de Janeiro é ficar aos pés da construção. É uma sensação única. Se o Cristo ganhar, não só os cariocas, mas todos os brasileiros pensaríamos duas vezes antes de, por exemplo, arremessar um papel de bala do alto de um monumento histórico. Não poderia existir melhor maneira de incentivo, às portas dos jogos Pan-Americanos. Vale votar!''.
Nessas horas, o promotor de eventos acredita que o boca-a-boca é a receita infalível. ''Votei algumas vezes e voto quanto for preciso. Seria bom se o brasileiro votasse ao menos uma vez. Uma ótima sugestão, que comigo funcionou: enviar o link, ligar ou mandar um torpedo para a turma de amigos e familiares dá resultado. É instantâneo'', entrega.
Amigo de Giovane, o estudante de administração e marketing, músico e estagiário de uma empresa de telefonia, Rafael Gustavo Pereira, 19 anos, encontrou uma brecha na agenda para aderir à campanha. ''Já conheci o Cristo de perto e acredito que, alçado à condição de uma das maravilhas do mundo moderno, o monumento certamente se manteria intacto e receberia novos investimentos financeiros, consolidando-se ainda mais como atração turística''.
Rafael, que já registrou seu voto e na última semana de disputa pretende ''votar ainda mais'', complementa. ''A vitória estimularia o governo federal a dar mais atenção ao Rio de Janeiro, priorizando aspectos sociais da cidade, como a violência e o tráfico. Na somatória, seriam ganhos diretos e indiretos, a serem desfrutados a curto, médio e longo prazo''.
Entre as muitas opções, tanto Rafael quanto Giovane são unânimes ao elencar dois dos principais adversários tupiniquins: Taj Mahal, na Índia, e Machu Picchu, no Peru. Giovane vai além. ''São adversários fortes, mas o Cristo já ganhou''. Que assim seja.

Serviço
Endereço para votar no Cristo: www.new7wonders.com
A votação se encerra no dia 6 de julho.

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