Depois de quase 24 horas debruçado sobre papéis e lápis, Fernando Gabriel da Silva, 26, finalizou a produção de uma história em quadrinhos. Ele foi o último a terminar sua história que, de acordo com o quadrinhista amador, foi uma mistura de sonho e conflitos psicológicos.
Silva participou, no último final de semana, do ‘‘24 Hours Comics Day’’: um desafio que reuniu quadrinistas profissionais e amadores em todo o mundo. Os participantes tiveram o período de 24 horas para criar uma história em quadrinhos completa: com roteiro, arte final, letreiramento e cores. ‘‘É um desafio, eles percebem o quanto podem produzir, ver seus limites, rapidez e agilidade’’, afirma Mitie Utrabo, 42, proprietária da Itiban Comic Shop, local onde foi realizada a atividade, no centro da Capital.
Junto com Silva, outros 23 artistas produziram quadrinhos no Comics Day, em Curitiba. Das 13 horas de sábado às 13 horas de domingo, o clima entre os participantes foi diversificado e representou os vários sentimentos dos desafiados. ‘‘No começo foi um silêncio total, aos poucos, com o nervosismo começaram as piadinhas, aí eles começaram a beber café e comer muito. Depois das brincadeiras teve a dor física e a preocupação com a parte da criação. O roteiro não estava pronto e na hora não dá certo’’, conta Mitie.
Depois de muito tempo sem criar histórias em quadrinhos, o que faz desde os 12 anos de idade, como passatempo, Silva resolveu participar da atividade e conta que encontrou ‘‘um verdadeiro desafio pessoal’’, principalmente, devido ao desgaste físico e mental para a estruturação de uma história de 24 páginas, o sono e a fome. Ainda assim, acredita que o prazo de 24 horas para produzir contribuiu com o trabalho. ‘‘Ajuda para lidar só com aquilo, sem outras influências’’, explica. O rapaz acredita que demoraria, no mínimo, duas semanas para criar o mesmo projeto em seu ritmo habitual ou, então, três dias ‘‘se pegasse pra valer’’.
O primeiro a finalizar seu trabalho foi o experiente quadrinista curitibano Darlan Ribatski, 26, conhecido como ‘‘DW’’. Participante, pela primeira vez, do ‘‘24 Hours Comics Day’’, DW desenhou durante 10 horas e afirma que levaria aproximademente três meses para produzir o mesmo trabalho, sem contar o período de pesquisa que ele costuma realizar. O quadrinista trabalhou de forma experimental e apostou em temas abertos, relacionados com rituais e sensações. Para ele, a dificuldade maior foi a questão do tempo de atuação no projeto. ‘‘Eu costumo trabalhar um tempo, depois paro para descansar, recomeço e vou até o fim’’, diz. ‘‘Percebi que o cansaço foi igual para todos, faltou a estratégia de texto na cabeça (dos participantes). Muitos tiveram a idéia na hora’’, diz Mitie.

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