Máquina desafia a paciência
19 horas, a máquina não funciona! 20 horas, o equipamento continua parado! Vinte e uma horas, as rotativas ainda nem dão sinal de vida! O silêncio só é quebrado pela conversa dos operadores. As frases são ríspidas, não há clima para pronúncias tranquilizadoras. 21 horas! Nada! A geringonça, como alguns, já nervosos, resolvem chamar o conjunto de rotativas, continua calada, sem reação. Pior, sem imprimir o jornal do dia seguinte. Telefona para o Carlinhos, grita alguém.
O diretor administrativo e industrial atende a ligação, tira o carro da garagem e parte rumo à oficina de impressão, instalada na Avenida 10 de Dezembro, em Londrina. No meio do caminho eu me perguntei: mas o que é que eu vou fazer lá? Não sou eletricista, não sou engenheiro, não sei nada sobre o funcionamento da máquina.
Atrás do volante do carro, enquanto raciocina, os semáforos parecem fechar a cada esquina, o motorista da frente dá a impressão de estar com preguiça de dirigir, os obstáculos do trânsito aparecem com frequência anormal. E a luz: De repente me lembrei do Ênio Galantin, o engenheiro elétrico da empresa T. Janer, que foi a responsável pelo fornecimento e pela instalação do nosso equipamento.
Chegando na oficina, Carlinhos conseguiu o número do telefone do profissional e fez a ligação, temendo não encontrá-lo em casa. São cerca de 500 unidades do equipamento instaladas pela T. Janer no Brasil e o Ênio é o único engenheiro da empresa. Encontrar ele em casa é uma questão de sorte.
Mas a sorte estava do lado da Folha. O engenheiro estava em casa e atendeu a ligação. Nós ficamos duas horas no telefone e foi desta maneira que ele consertou a máquina. Por telefone. Com instruções passadas por ele, nós checamos as 14 unidades de rotativas uma a uma. Foi coisa de Deus. O Ênio tinha todo o esquema elétrico da máquina da Folha na cabeça. A causa do problema, um curto-circuito, só apareceu quando chegamos na última unidade.
Esta é uma das histórias pitorescas e traumáticas que o diretor administrativo e industrial reparte com colegas da Folha. O pitoresco foi não só termos consertado o equipamento por telefone, mas inclusive ter encontrado o engenheiro elétrico em casa. O jornal chegou no dia seguinte ao leitor com atraso, mas não deixou de circular.
Carlinhos também recorda que por pelo menos duas ocasiões teve que correr para a oficina, no meio da noite, arregaçar as mangas da camisa e colocar a mão na massa. Em duas greves que enfrentamos, fomos intercalar o jornal. (W.O.)





