Colocar vários prédios dentro de uma sala, contrariando os princípios básicos da física, é o trabalho diário de alguns profissionais. Ilusionistas? Não. Eles são apenas técnicos especializados na elaboração de maquetes e réplicas. Além de prédios, confeccionam miniaturas de indústrias, estádios de futebol, condomínios residenciais e réplicas de equipamentos médicos.
Um dos principais ‘‘maqueteiros’’ da cidade, Alexandre Ferreira Gross, proprietário da Réplica Maquetes e Protótipos, explica que em função do ‘‘caos’’ vivido atualmente pela engenharia civil, os ‘‘maqueteiros’’ estão se especializando em outras áreas.
Entre elas estão as maquetes industriais, que seriam a nova tendência deste mercado de miniaturas. Isto teria sido motivado pela instalação das montadoras, no Paraná. ‘‘Já enviamos uma proposta e estamos em negociação com a Audi’’, antecipa o especialista Alexandre Ferreira Gross.
Ele conta que a ramificação é uma decorrência da queda de 50% registrada no movimento das construtoras. ‘‘Já chegamos a realizar seis grandes maquetes de prédios por mês, mas hoje não fazemos mais do que três’’, conta. Segundo informou, a maquete de um prédio de tamanho médio, com 20 pavimentos, leva cerca de um mês para ser elaborado por dois profissionais. O preço médio de uma maquete dessas fica em torno de R$ 3.500,00.
‘‘Nos últimos dez anos houve uma grande revolução em relação aos materiais empregados na confecção de maquetes’’, conta Gross. Ele explicou que materiais básicos, como o papel, papelão, P.V.C e acetato, foram substituídos pelo poli-carbonato e acrílico, que causam menos deformação.
Com 11 anos de experiência na confecção de maquetes, Gross afirma que apesar da retração que houve no mercado, hoje há uma maior exigência em relação a qualidade dos projetos. ‘‘Com a grande concorrência das construtoras, aumentou a preocupação em dar destaque às maquetes, expostas nos show-rooms.’’
Para isto, além do aprimoramento nos materiais, há três anos as maquetes tornaram-se quase 50% maiores (hoje obedecem a escala de um para 66 e antes era de um para 100). ‘‘É preciso que os prédios sejam vistos e chamem atenção, por isso abandonamos os antigos padrões acanhados.’’
Gross já perdeu a conta de quantas maquetes realizou, mas afirma que algumas marcaram sua vida profissional. Uma deles foi a do edifício Antoni Gaudí, da construtora Moro, localizado na Rua Desembargador Mota. ‘‘Foi um desafio, pois o prédio tem muitas cores misturadas, além de formas arredondadas e irregulares, o que dificultou muito o trabalho. Foi muito gostoso concluir aquele projeto’’, lembra.
Outra maquete inesquecível, segundo Gross, foi a do novo Estádio do Atlético, recentemente realizada. ‘‘O projeto conta com o que há de mais moderno, desde estrutura esportiva até conforto pessoal, incluindo arquibancadas cobertas, restaurantes, lojas e camarotes’’, contou.

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