Mapa da cultura
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quinta-feira, 27 de março de 1997
Fabiano Camargo 
Casa lotada numa peça do Festival de Teatro: evento mereceu destaque nacional. No detalhe, os organizadores, Cássio Chamecki, Leandro Knopfholz e Victor Aronis.
De uma cidade que vivia à margem do grande circuito cultural brasileiro, Curitiba se transformou nos últimos anos num dos pólos mais importantes do país. Eventos como o Festival de Teatro, Bienal da Fotografia, Mostra da Gravura e mais uma série de shows internacionais de porte comprovam este destaque.
A Bienal da Fotografia e a Mostra da Gravura, promovidas pela Fundação Cultural, se transformaram em referência dentro das artes que abordam. Na Bienal, realizada no ano passado, foram 30 exposições com mais de 200 fotógrafos e 1500 fotos expostas. A Mostra da Gravura, que também é bienal, deve acontecer este ano entre outubro e novembro.
Em sua sexta edição, o Festival de Teatro atraiu um pelotão de jornalistas, críticos e artistas para a cidade. Capas de jornais nacionais foram dedicadas ao evento e a grande mídia olhou com atenção a atividade que emanou dos 21 espetáculos, incluindo uma montagem paranaense. Tivemos um balanço super positivo, tanto de público, com 85% dos espetáculos lotados, como de repercussão nacional, diz um dos diretores do Festival, Leandro Knopfholz. Tudo isso mostra o amadurecimento da nossa cena cultural.
Segundo o produtor, o cenário como um todo está se desenvolvendo. Da época do primeiro Festival, há seis anos, até hoje, tudo está muito mais ativo, da música até a literatura. Curitiba mostrou que é um mercado onde se pode realizar cultura. E o empresariado também está mais convencido de que as produções artísticas são um bom veículo de divulgação.
Uma velha deficiência, o fato de a cidade consumir muita cultura mas não ter um público que valorize as produções locais, também parece estar mudando. O Festival vem abrindo mais espaço para as produções locais (este ano foi a montagem de Nora, do diretor Felipe Hirsch) e eventos como a Bienal da Fotografia e Mostra da Gravura também seguem o mesmo caminho. Em algumas áreas, como a da música, entretanto, este trajeto parece estar sendo percorrido lentamente.
Um exemplo disso é a banda Sr. Banana, que realiza mais shows em outras cidades do que aqui. Ainda falta para o público curitibano um certo bairrismo, no sentido de dar preferência ao que é feito na sua terra, sentencia o guitarrista Fabiano Neves.
Se as bandas locais ainda batalham por mais espaço, os grandes nomes da música nacional e internacional estão cada vez mais presentes. Há seis ou sete anos, muitos artistas só passavam pela cidade por cima - de avião - quando estavam indo para Porto Alegre. Hoje, Curitiba é uma das praças mais importantes do país, comenta Sérgio Apter, diretor artístico do Aeroanta e da produtora Villa Ricca, que já trouxe para a cidade artistas como Mikhail Baryshnikov e mega shows como o do AC/DC. Esta última produção só aconteceu em São Paulo, Rio e Curitiba.
O aquecimento da cidade como ponto de parada do showbusiness também motivou a abertura de uma nova casa de shows de grande porte, a Forum, inaugurada há pouco mais de um mês, onde antes funcionava o Coração Melão. Uma reforma ampliou a capacidade de público para 5 mil pessoas e transformou o espaço na maior casa de espetáculos do sul do país. Possui boate, nove bares e a possibilidade de colocar mesas para até mil pessoas.
Curitiba vem sediando eventos que fazem a cidade ocupar a posição de terceiro centro musical e cultural do país. Shows como o de Paul McCartney, que só aconteceu em São Paulo e aqui, e Bon Jovi, com paradas nestas duas cidades mais Rio - além do próprio ritmo de shows que estamos trazendo - são prova disso, atesta um dos proprietários da Forum, Michel Zambon, acrescentando que só no mês de abertura a Forum contou com três atrações internacionais (Deep Purple, Shakira e Hoodoo Gurus). Como explicação para o fenômeno, ele aponta uma conjunção de fatores. A cidade cresceu muito e o público, diante de novas opções, se habitua cada vez mais a sair de casa.


