São Paulo - Ela não faz distinção de raça, credo, sexo, idade ou status social. Também não escolhe local nem hora para chegar, vai aparecendo aos poucos. Divertida ou estranha aos olhos alheios, o fato é que a mania faz parte do cotidiano da maioria das pessoas. Afinal, quem nunca se pegou fazendo algo de um modo todo particular, sem qualquer sentido para os outros? E, veja bem, não estamos falando das excentricidades de astros pop, como pedidos de centenas de toalhas no camarim. Mania é algo bem mais corriqueiro do que isso.
Levantar, escovar os dentes, ir ao banheiro, comer, caminhar, subir escadas... Em geral, as pessoas não prestam muita atenção na maneira como praticam ações rotineiras. Até mesmo no mundo ficcional é assim. Os pequenos gestos não costumam tomar de assalto a autores e suas obras; salvo as magistrais exceções criadas pelo poeta uruguaio Mario Benedetti, por Julio Cortázar e suas ''Histórias de Cronocópios e de Famas'', e por José Saramago em muitas obras, mas sobretudo em ''A Jangada de Pedra'', em que gente e atos comuns mudam o curso da história.
O quarto é o abrigo dos sonhos e das manias. Despertar e dormir. A vida se desenrola dia após dia num espaço de tempo inserido entre essas etapas. Entrar ou sair do mundo dos sonhos, porém, pode ser algo mais complexo do que se imagina. Esqueça os simples, e óbvios, decúbito dorsal e abdominal. Acrescente travesseiros, os macios de penas de ganso ou os pequenos trazidos da mais tenra infância, e disponha-os entre pernas, braços ou simplesmente sobre a cabeça.
Agregue posições variadas, como: encolhidinho, esticado, na transversal; pés para fora da cama ou obrigatoriamente descobertos. Adicione, ainda, elementos como ventilador, agasalhos e meias de lã não importando as condições climáticas.
A lista já está grande? Junte a isso copos de água ou leite ou xícaras de chá ou café. Para arrematar: o estalar de dedos dos pés e das mãos , pescoço e todas as juntas imagináveis do corpo. Cada um, enfim, tem sua receita especial ou uma maniazinha, nem que seja a mais discreta na hora do sono.
''Ohhh, é a maior paz'', assim Renata Gaviolli da Silva, de 27 anos, resume a sensação que tem ao passar horas alisando a sua fralda. Fralda?! A estudante de Jornalismo, ''desde que se conhece por gente'', desfruta de uma maniazinha infantil: alisa e enrola entre os dedos as partes lisas de fraldas de bebê feitas em algodão. Renata explica que saiu ''da barriga da mãe com o dedo na boca e teve esse hábito até os 12 anos de idade''.
Porém, garante que alisar a fralda é um hábito que ela não larga. Aliás, além de acariciar a fralda, a moça gosta de passá-la no rosto antes de dormir; o que lhe provoca mais sono. ''Quando estou em casa vendo televisão, a fralda está junto. As pontas ficam até sujinhas porque passo horas assim. Mas, aí eu ponho pra lavar e pego outra. Eu uso sempre novas. Agora eu tenho cinco fraldas'', explica Renata.
O hábito ela não pensa em abandonar de jeito algum. Quando viaja, por exemplo, a fralda vai sempre na bagagem. E pouca importa se esteja acompanhada, ou não, pela família ou o namorado.
E qual a reação dos moços? ''Tive namorados que achavam uma coisa meiga. Viam pro lado mais infantil. Algumas vezes quando contei, eles achavam que era pra não fazer xixi na cama. Aí eu explicava: 'não é fralda plástica, é de algodão que eu aliso e passo no rosto.' Mas eu não 'tô' nem aí. Eu uso fralda mesmo. Vou fazer o que? É uma delícia! E eu não largo ela, não!'', assegura Renata.

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