Para a artista plástica Ana Yamasaki, a mandala floreceu naturalmente. "Estava sentindo necessidade de me reoganizar. Então, foi um processo intuitivo, sem planejamento. Simplesmente comecei a fazer. Só depois fui procurar referências em livros, estudar a arte", conta. Mandala, palavra sânscrita que significa círculo, é uma representação da relação entre o universo e o homem e sua busca pelo seu centro.
Até 19 de dezembro, Ana expõe seu trabalho no Centro Cultural Indiano Himalaias. Com uma seleção de quatro mandalas grandes, quatro médias e dez pequenas, a artista espera que o público conheça suas obras de coração aberto para acessar o universo de cada uma. Formada em Design, em Curitiba, esta é a primeira mostra da artista.
Uma das peças mais especiais para ela é a "Anahata". A inspiração partiu de um problema cardíaco enfrentado pelo pai. Somente depois de pronta é que ela percebeu os vários aspectos do desenho que remetiam ao coração, como as cores e os números de repetições. "Para mim, foi um processo de cura. Durante a confecção, aprendi mais sobre a energia do coração. Foi o fechamento de um ciclo, como deve ser o processo de fazer a mandala", explica.
Ela conta sobre o processo de monges budistas, que fazem suas mandalas em areia. Depois de concluída, eles desmancham apenas para iniciar o ciclo novamente. Ana não identifica seu trabalho como indiano, mas sim como parte da cultura oriental.
"Acho que a mandala me ajuda a reorganizar o meu interior. Depois de pronta, é uma ferramenta para meditação. Durante a meditação, gosto de visualizá-las. E é só buscar inspiração na natureza. Tudo é mandala, o planeta Terra, o sistema solar ou uma flor", avalia Ana. Ela defende que o conceito se aplica a várias dimensões e é assim que ela quer que os visitantes da exposição recebam seu trabalho.
Feitas com tecidos transparentes como rendas e tules, tecidos estampados e pedraria, cada peça tem uma história. "O que eu acho bonito é que existe movimento. O ideal seria até que as pessoas pudessem mexer nelas. Também gosto do fato que as pessoas podem se ver no reflexo. Mas, o mais interessante para mim, não é o conteúdo, mas os espaços vazios. É como uma casa, a pessoa compra pensando na parede e no teto, mas ela ocupa os espaços vazios", compara a artista.

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