Manaus privatiza Carnaval
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sexta-feira, 20 de fevereiro de 1998
Rosângela Marques Agência Estado 
Pela primeira vez desde a construção do Sambódromo de Manaus, em 1992, o público que quiser assistir aos desfiles de Carnaval em locais mais privilegiados terá de pagar para isso. É que, com o investimento da iniciativa privada no Carnaval amazonense, 15 mil dos 60 mil lugares disponíveis no Sambódromo foram colocados à venda.
De acordo com o presidente da Ematur (Empresa Amazonense de Turismo), Paulo Corrêa, a idéia é melhorar a qualidade dos desfiles através da ajuda que a iniciativa privada passou a conceder para as escolas de samba do Estado. Até hoje, nunca se cobrou nada pelos desfiles, mas se quisermos um carnaval de qualidade, teremos de fazer isso. Este ano, 45 mil lugares não serão cobrados nas arquibancadas, mas a partir do ano que vem serão vendidos ingressos para todos os setores, adiantou Paulo, lembrando que o slogan adotado para o carnaval deste ano - O Carnaval Mais Quente do Brasil - é comprovado cientificamente: Nossa temperatura média é de 41 e, quando faz frio, temos uns 30, brinca.
Os lugares postos à venda foram os camarotes, as cadeiras de pista e a ferradura, que é a parte côncava do Sambódromo, onde o desfile termina. Na verdade, o local onde se tem uma visão melhor do desfile é na ferradura. É como se fosse a Praça da Apoteose, no Rio, mas ao invés do folião ver o desfile apenas passar e acabar, ele pode assistir a escola desde o início, garante.
As escolas de samba de Manaus surgiram em 1973 e, no início, desfilavam pelas ruas da capital. Atualmente, existem cerca de 20 escolas entre o grupo especial, o primeiro e o segundo grupo. Isso, sem falar nas bandas, semelhantes aos blocos carnavalescos: A cada ano surge uma com um nome mais engraçado, como a Banda da B.I.C.A. (Banda Independente da Confraria do Armando), a Banda do Cuiu-Cuiu, a Banda do Mandys, entre tantas outras. Elas desfilam sempre na noite de terça-feira e encerram o carnaval.
Este ano, desfilam pelo grupo especial as seguintes escolas, que saem, em média, com 2.500 foliões: Sem Compromisso, Balaku-Blaku, Aparecida, Grande Família, Vitória Régia e Reino Unido, esta última, tricampeã do Carnaval. O lançamento antecipado do CD com os sambas de cada escola também colaborou para aumentar o interesse pelo desfile.
Boi Bumbá X CarnavalA rivalidade entre o Festival Folclórico de Parintins e o Carnaval de Manaus foi um dos motivos que proporcionaram a participação da iniciativa privada no Carnaval amazonense. Precisávamos divulgar o que tínhamos de diferente no Estado, então resolvemos dar um maior apoio ao Festival Folclórico de Parintins. Então, conseguimos patrocínio de R$ 900 mil para que a Escola de Samba Salgueiro, do Rio, usasse como enredo o Boi-Bumbá de Parintins, contou o presidente. Por causa disso, os carnavalescos daqui protestaram e também pediram apoio para investir nas escolas de samba e fazer um carnaval mais bonito que o dos anos anteriores. Então, conseguimos mais apoio das empresas e as escolas conseguiram um reforço total de R$ 1 milhão.
Corrêa destaca que, apesar de Manaus possuir uma afinidade industrial muito grande com São Paulo (em função da Zona Franca), a população amazonense se espelha muito no modo de vida do carioca. Aqui a maioria da população é fiel ao Flamengo e, com certeza, este ano também vai torcer para que o Salgueiro leve o título de campeã do Carnaval no Rio, já que o tema é Parintins.
A TV Globo transmite flashes ao vivo do desfile de Manaus durante a transmissão do Carnaval de São Paulo (a transmissão completa só será feita para Manaus, com flashes do desfile de São Paulo). Os desfiles começam sempre às 21 horas (23 horas em São Paulo). Hoje, desfilam as escolas do grupo especial; amanhã, as do primeiro grupo, e na segunda, as do segundo grupo. Na terça, o Carnaval se encerra com o desfile das bandas.


