Mais treinamento, mais qualidade
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quarta-feira, 26 de março de 2014
Cecília França<br>Reportagem Local 
O londrinense Claudinei Pereira, 36, trabalhou como pedreiro por dez anos e há cinco, faz parte do quadro de funcionários da construtora Plaenge, como encarregado de obras. O novo emprego trouxe a segurança que ele procurava para cuidar da família, além dos benefícios, como transporte e alimentação.
Mas, mesmo nos tempos de diarista, Pereira lembra que não faltava trabalho.
"Sempre tinha emprego, mas era registro por tempo determinado, só enquanto durasse a obra. Dava até para ganhar mais, só que não tinha estabilidade", conta. Segundo Pereira, após ingressar na construtora ele teve a oportunidade de fazer cursos de capacitação e, hoje, incentiva colegas que almejam cargos melhores. "Hoje não tem mais aquele negócio de carriola, o material é depositado direto no pavimento". Apesar de comemorar as conquistas profissionais, o encarregado não esconde seu desejo para o futuro: "Meu sonho é ser mestre de obras".
Claudinei Pereira é um dos mais de 12 mil trabalhadores da construção civil em Londrina. O setor, responsável por 16% do Produto Interno Bruto (PIB) do município, enfrenta o gargalo da mão de obra há anos, especialmente quando se trata de profissionais qualificados. Por isso, muitas empresas investem na capacitação do próprio quadro de empregados, em parceria com sindicatos.
Segundo a construtora Thá, a formação de mão de obra está diretamente relacionada ao desenvolvimento do setor. "Todo trabalhador antes de acessar nossos canteiros passam por um treinamento específico, realizado por profissionais capacitados, como técnicos de segurança, promovendo a padronização dos procedimentos internos da obra", afirma o diretor da empresa, Gilberto Kaminski.
De acordo com ele, os trabalhadores passam, ainda, por treinamentos específicos, como o curso de trabalho em altura. As reuniões com trabalhadores são constantes, bem como as fiscalizações. "Realizamos reuniões semanais, diálogo de segurança, auditorias internas e externas, sendo que todas as ações tem o envolvimento além da equipe de liderança da obra, como engenheiros, mestres e encarregados", detalha.
Contratação
Rodolfo Kouri, diretor da construtora Graúna, diz que a empresa demora cerca de dois meses para preencher vagas técnicas e administrativas, que exigem mais conhecimento. "A falta de mão de obra qualificada tem sido um empecilho constante devido a atuarmos no setor que hoje, também, é o que mais contrata", avalia.
Para cargos manuais ou funções específicas, a construtora também promove treinamentos para aprendizagem dentro do processo próprio da empresa e das normas vigentes no setor. Kouri acredita que a capacitação dos trabalhadores está intimamente ligada à segurança das obras. "Tomamos todo cuidado, além do subordinado ter sempre acompanhamento de profissionais capacitados, mais qualificados e com mais experiência", garante.
O presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Norte do Paraná (Sinduscon- Norte/PR), Osmar Alves, acredita que o problema da mão de obra no setor esteja parcialmente solucionado, em virtude das iniciativas conjuntas entre construtoras e sindicatos. "Em parceria com o Senai e sindicato dos trabalhadores foram realizados cursos e capacitações. Hoje, o jovem não procura seguir a carreira do pai, mas está vendo a importância de ter uma carreira, seja como pintor, pedreiro, carpinteiro", avalia.



