Mais sólidas para enfrentar crises
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sábado, 27 de fevereiro de 2016
Cecília França<br>Especial para a Folha 
Boas regras de governança estabelecem uma visão do negócio a longo prazo e tornam a empresa mais sólida para enfrentar momentos de crise, como o atual. Não significa, claro, que a organização esteja imune às turbulências e problemas conjunturais. Porém, com a formação do Conselho de Administração - comumente responsável por implementar regras de governança - os proprietários têm ajuda para pensarem o negócio de forma estratégica, antecipando crises.
"O conselho tem como função, também, avaliar riscos do negócio", ressalta o coordenador-geral do Capítulo Paraná do Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC), Marcelo Bertoldi. O professor da Escola Brasileira de Administração Pública e de Empresas da Fundação Getúlio Vargas (EBAPE/FGV), Joaquim Rubens Fontes Filho, acrescenta que bons processos e modelos ajudam as empresas a enfrentarem os problemas econômicos.
"Quando o País estava crescendo todo mundo estava feliz, mas agora, muita empresa vai começar a ter prejuízo; se você tiver regras bem estabelecidas elas ajudam a enfrentar esses períodos com mais tranquilidade", explica.
O coordenador-geral do IBGC no Paraná ressalta que a governança corporativa tem sido absorvida mais intensamente pelo ambiente de negócios no Brasil nos últimos dez anos e, embora ainda seja mais sólida dentro das grandes corporações até mesmo o nome deriva desta origem deve ser pensada por empresas de todos os portes e ramos de atividade.
"A gente sabe que a governança iniciou muito voltada para grandes organizações, mas hoje é possível pensar em pequenas, com adaptações", informa. Embora o IBGC pregue que todas as instituições devam contar com um Conselho de Administração para implementação da governança, Bertoldi admite ajustes de acordo com cada negócio.
"Uma coisa é o ideal, mas vai da realidade da empresa. Às vezes você está no início da atividade e não existe a possibilidade de instalar um conselho formal, mas não quer dizer que você não possa ter um conselho consultivo, que é informal", sugere.
A governança corporativa possui quatro princípios básicos, segundo o IBGC: transparência, equidade, prestação de contas e responsabilidade corporativa. Deste modo, a sustentabilidade empresarial acaba embutida no conceito, destaca Bertoldi. "Não tem como falar sobre governança sem estar atento à sustentabilidade", destaca.
PEQUENAS EMPRESAS
O professor da EBAPE/FGV destaca que o conceito de governança ultrapassa o ambiente corporativo, podendo ser aplicado a Organizações Não-Governamentais (ONGs), cooperativas e condomínios residenciais, por exemplo, além de ser de grande valia para empresas familiares.
"A governança está relacionada aos donos, a como eles definem o que vão fazer do negócio", sintetiza Fontes Filho. De acordo com ele, o conceito já se encontra sedimentado em grandes empresas, mas ainda carece de força entre as pequenas e médias, muitas vezes familiares e vistas como extensão da família.
"A gente sabe que tem muitas regras que funcionam bem, mas a grande dificuldade nas empresas familiares é o emocional", destaca. Neste sentido, a implementação de conselhos administrativos pode auxiliar no processo de discussão sucessória e de tomada de decisões, orienta Fontes Filho.




