Os cafezais já não estão mais presentes na maioria das lavouras londrinenses, mas a planta está no DNA da cidade. Pesquisa realizada pelo Instituto Agronômico do Paraná (Iapar), em parceria com o Centro Internacional de Pesquisa Agronômica para o Desenvolvimento da França, identificou os genes responsáveis pelo acúmulo de sacarose nos grãos de café, que influencia diretamente no sabor da bebida porque é responsável por liberar aroma e sabor durante a torrefação. O resultado pode melhorar a qualidade do grão, aumentando seu valor de mercado.
  De acordo com o pesquisador do Iapar, Luiz Gonzaga Esteves Vieira, o objetivo era entender como esse gene atua durante o desenvolvimento da planta e como se expressa. Com base nessas informações, o foco é buscar variedades para melhoramento convencional que expressem esse gene, sem transgenia. É possível também usar o gene identificado para realizar manejo da planta. ‘‘Se entendermos como esse gene se expressa conforme o clima, o solo e a adubação, podemos adequar o cultivo’’, esclarece.
  O Iapar tem um banco de germoplasma de café e os pesquisadores têm analisado dentro dessa coleção quais variedades têm maior potencial de acúmulo de açúcar (sacarose). A fase de identificação do gene e do seu funcionamento durante o desenvolvimento do fruto já foi concluída. Agora, a pesquisa busca variedades com maior potencial de acúmulo. Em seguida, esses genes serão utilizados como marcadores para constatar se realmente há uma correlação entre a maior atividade desse gene e o aumento de açúcar.
Qualidade nutricional
  Outro projeto desenvolvido pelo Iapar é o da biofortificação de alimentos. As pesquisas começaram há sete anos com o feijão, mas há três anos mandioca, milho, arroz e trigo foram incluídos. O objetivo é melhorar a qualidade nutricional desses alimentos por meio de melhoramento genético convencional.
  No caso do feijão, por exemplo, o objetivo é aumentar o teor de ferro, proteína e zinco. Já a mandioca deverá ganhar mais pró-vitamina A: o betacaroteno. O milho será enriquecido com mais proteína e betacaroteno A, enquanto o trigo terá aumentado o seu teor de zinco e betacaroteno.
  De acordo com a pesquisadora, Vania Moda Cirino, que coordena o projeto, esses alimentos foram escolhidos por constituírem a base da alimentação brasileira, principalmente da população da zona rural. ‘‘A deficiência de micronutrientes é significativamente maior em áreas rurais em comparação às urbanas, e muito maior em regiões com alta concentração de pobreza.’’ Nosso objetivo é conseguir aumentar o teor de ferro em torno de 80%. Em relação ao zinco, queremos aumentar em 50%, e para proteína, acréscimo de 40% do teor.’’

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