Mais que um parque
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quinta-feira, 26 de junho de 2008
Diogo Cavazotti<br> Equipe da Folha 
O antigo bairro do Capanema, que na língua Tupi significa mato ruim, passou a se chamar Jardim Botânico a partir de 1992. A decisão foi tomada depois de um plebiscito popular, em referência ao espaço criado um ano antes, no local onde morou o desembargador Antônio Martins Franco, fundador da Sociedade Paranaense de Orquidófilos. O parque Jardim Botânico abriga um dos últimos remanescentes de vegetação típica do Paraná e é considerado o ponto turístico mais procurado pelos turistas.
Atualmente as cerejeiras do Japão ajudam a colorir o ambiente. Inspirada no Palácio de Cristal, de Londres, a estufa de ferro e vidro foi criada pelo arquiteto Abrão Assad, que também planejou o Museu Botânico. Atualmente o espaço tem o quarto maior herbário do País. Conta também com centro de pesquisas, biblioteca especializada, sala de exposições e auditório.
Todo o Jardim Botânico tem área total de 278 mil metros quadrados. O parque homenageia a engenheira civil Francisca Maria Garfunkel Rischbieter, pioneira no planejamento urbano da cidade. Em 2007, o Jardim Botânico foi um dos monumentos mais votados em eleição que escolheu as sete maravilhas do Brasil, promovido pelo site Mapa-Mundi.
O espaço é local de encontro dos vizinhos do bairro que pretendem entrar em forma para o verão. Cláudia Almeida está desempregada e em vez de ficar em casa vai ao Jardim Botânico três vezes por semana. Ela mora no bairro Jardim das Américas e considera o parque mais seguro por ser fechado e com guardas. Nos finais de semana turistas e moradores de bairros distantes aproveitam o tempo livre para passear e deitar na grama, cuidando com o ataque dos violentos quero-queros que têm seus ninhos espalhados por todo o ponto turístico.
Mas não é só o parque que chama atenção no bairro. Uma casa localizada na esquina das Ruas Dante Alighieri e Coronel João da Silva Sampaio já inspirou muita gente. Erna Kuester, morta há cinco anos, era a proprietária do local e dedicava parte do seu tempo escrevendo mensagens nas pedras da calçada e no muro da casa. Conhecida como Cristi das Pedras, o objetivo era fazer com que as pessoas que pasassem pelo local se sentissem melhor. As mensagens eram trocadas duas vezes por ano. Hoje, boa parte delas já estão apagadas. Cristi das Pedras foi uma das primeiras moradoras do bairro.
A dona de casa Leda Sliva, vizinha de Cristi, mora há 40 anos na região e acompanhou o crescimento do bairro. ''A criação do parque valorizou muito as casas daqui. A gente tem que progredir'', conta.
Quando ela foi morar ali, existiam apenas três casas. Segundo Leda, a partir de 1966 o bairro começou a melhorar. Mas com o crescimento, vieram os problemas. A favela da Vila das Torres, que fica próxima do bairro, também cresceu. Antes da criação do parque Jardim Botânico, o terreno foi loteado para mais moradores da favela ocuparem o terreno. Os antigos moradores reclamaram e solicitaram à prefeitura a criação do parque.
Poucos prédios habitam o bairro. Isso faz com que ação de assaltantes seja facilitada. Em uma tarde, Leda saiu para comprar pão e quando voltou um homem tentava roubar o motor da cisterna de sua casa. ''Chamei os guardiões da rua que pegaram ele''. Por isso, os moradores pagam para que seguranças circulem nas ruas durante dia e noite.
A idade média dos moradores do Jardim Botânico é de 34 anos, sendo que a maioria é composta por mulheres. Além do parque o bairro ainda possui seis praças e um centro esportivo. O mercado hoteleiro cresceu após a criação do parque. Agora são oito hotéis na região. O bairro possui aproximadamente 234 mil metros quadrados de área verde, segundo levantamento feito em 2000 pela Prefeitura de Curitiba.


