Se uma garrafa pet demora 400 anos para ser absorvida pela natureza, no meio dos negócios a reutilização é infinitamente mais rápida. Um quilo do produto vale hoje cerca de R$ 1,20. Um fardo como o que o reciclador Josino José da Silva está apoiado
pesa por volta de 120 quilos e é vendido por R$ 140 para que as indústrias produzam novas garrafas



A coleta seletiva de lixo em Londrina, realizada pelas 29 organizações não-governamentais que atuam no setor, já alcançou o índice de 23% do total de lixo doméstico coletado na cidade.
De acordo com indicadores nacionais, a taxa máxima de aproveitamento de material reciclável é de 35% do total do lixo gerado em uma cidade. Segundo este dado, o ideal em Londrina é chegar a 140 ton/dia, atualmente a coleta diária na cidade é de 90 toneladas.
Essas referências existem devido ao projeto "Reciclando Vidas", implantado pela Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU) de Londrina em 2001, com parceria de ONGs de profissionais de reciclagem.
Com o desenvolvimento do programa, foi criada em 2002, a Central de Pesagem e Reciclagem (Cepeve), com o objetivo de buscar recursos para os grupos empreendedores que hoje trabalham juntos para oferecer pré-tratamento do lixo reciclável de melhor qualidade, aumentando o valor agregado das vendas.
No final de 2004, "Reciclando Vidas" recebeu prêmio da Fundação Getúlio Vargas pelo Destaque em Gestão Pública e Cidadania, possibilitando que Londrina entrasse para o ranking sul-americano em seleção de lixo na fonte geradora. Sua classificação, entre os vinte municípios selecionadas, deixou para trás quase 1200 projetos que concorriam ao título.
A cidade se evidencia pelo sistema diferenciado, já que o mais comum é a própria prefeitura fazer a coleta e disposição final", comentou José Paulo Silva, coordenador do programa da CMTU que passou a gerar renda para cerca de 540 trabalhadores que chegam a ganhar até R$ 380 mensais.
Além deste benefício direto, houve também um aumento da vida útil do aterro da cidade que, se não fosse o engajamento destes empreendedores e da população no projeto, talvez, já tivesse ultrapassado seu limite.


Marisa Pereira da Silva, 30 anos, fazia bicos como babá e diarista e há dois anos passou a trabalhar regularmente como recicladora. "Eu nem sabia o que era material reciclável, para mim era tudo lixo. Hoje em dia não admito que alguém chame isto de lixo, pois sei o valor que este material possui: é meu ganha pão e é com ele que sustento minha casa e meus
três filhos"


Josino José da Silva, 52 anos, trabalhou durante 27 anos em um frigorífico da cidade e quando a empresa fechou, ficou desempregado. Segundo ele, a idade avançada dificulta encontrar serviço e seguiu o exemplo da esposa que já trabalhava como recicladora há quatro anos. "Estou empregado há um ano e, além do dinheiro que consigo através do meu trabalho, estou muito satisfeito em saber que contribuo também com a natureza".

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