Mais qualidade de vida ao idoso
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 26 de maio de 2015
Ana Paula Nascimento<br>Reportagem Local 
Com o aumento gradativo da expectativa de vida dos brasileiros, os profissionais da área da saúde estão apostando atualmente em novas especializações para promover mais qualidade de vida à população idosa. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2000, a cada ano 650 mil novos idosos são incorporados à população brasileira. A previsão é de que o número de pessoas que cuidam de idosos, profissionalmente, vai ter de dobrar até 2020 e quintuplicar até 2050. Em 2011, o Brasil detinha a 16ª posição mundial, em números absolutos de idosos (20,4 milhões) e, em 2020, o Brasil ocupará a 6ª posição, com um contingente superior a 30 milhões de pessoas.
Segundo dados da Organização Mundial da Saúde, um país, estado ou cidade é considerado "idoso" a partir do índice de 12% de sua população com idade acima de 60 anos. É o caso de Londrina, que tem 12,1%, ou 61.822 pessoas a partir dessa faixa etária, de acordo com dados de 2010, da Secretaria Municipal do Idoso. Nos últimos 30 anos o número de idosos no município aumentou 130%.
"Considerando o grande crescimento da população idosa e a área da saúde, os profissionais estão 'acordando' para a necessidade de se prepararem para atender esta demanda, por isso a gerontologia é uma das especializações mais promissoras atualmente", recomenda a enfermeira e doutora em Enfermagem Damares Tomasin Biazin, que é pró-reitora de Pós-Graduação e Iniciação Científica da UniFil, em Londrina. "Até pouco tempo os profissionais da saúde, com exceção dos geriatras, tratavam os idosos como um adulto normal. Porém, essa população tem necessidades e exigências específicas da sua idade e deve ser cuidada de forma diferenciada", acrescenta.
Segundo ela, é importante diferenciar "geriatria" - que é uma especialidade somente para médicos e trata das doenças dos idosos -, de "gerontologia" - que é uma especialidade para qualquer profissional da área da saúde (enfermeiro, nutricionista, educador físico, fisioterapeuta, etc) que queira trabalhar com a população e que trata do processo de envelhecimento normal, a senescência. Dados estatísticos apontam que 80% dos idosos têm, pelo menos, uma doença crônica, e 33% tem três ou mais, sendo que os gerontólogos podem atuar nesse quadro, prevenindo novas doenças e mantendo a saúde apesar das doenças e garantindo mais qualidade de vida ao idoso.
Entre as especializações oferecidas pela instituição, desde 2000 é ofertado o Curso de Especialização em Saúde Coletiva e Saúde da Família, que integra na sua grade a disciplina Saúde do Idoso, com 30 alunos/ano. Para o segundo semestre deste ano, será oferecido o Curso de Especialização em Gerontologia e Saúde, que é direcionado a todos os profissionais da saúde e tem como foco a prevenção das doenças, manutenção da saúde e a qualidade de vida.
De acordo com a pró-reitora Damares, o Japão hoje é um país referência em políticas públicas de saúde ao idoso. No Brasil, apesar de boas leis, os idosos ainda não são respeitados, conforme estabelece a legislação. As práticas de atenção aos idosos ainda são pontuais, acontecendo especialmente nos grandes centros.
Projeção de idosos para o Brasil
2030
40,4 milhões de idosos (17% da população geral)
2050
64 milhões (29,7% da população geral)
Fonte: Relatório do Bando Mundial/Bird (2011)



