Mais problemas após o fim da guerra
A volta ao Brasil foi um período de novas dificuldades. ''Quando voltei para Curitiba fiquei sem emprego. Não tinha quase estudo nenhum. A maioria começou a entrar na bebida, que fazia um efeito muito negativo para quem voltou da guerra'', lamenta o ex-combatente Flávio Costa.
Segundo o professor Dennison de Oliveira, quando os praças voltaram a pisar o solo brasileiro não receberam qualquer tipo de assistência do governo federal. ''A ditadura do Estado Novo queria se livrar da FEB. Tinham medo do impacto que o retorno de uma tropa que lutou pela democracia teria num regime militar. Os ex-combatentes nem foram submetidos a exames médicos e psicológicos'', observa o professor. Somente após 1988, o ex-combantes passaram a ter direito a pensão.
Foi nessa época que os praças começaram a se organizar para criar a Legião Paranaense do Expedicionário, fundada em 1946. ''Estávamos sem emprego e sem dinheiro. Fizemos uma campanha para construir uma casa para o pessoal de fora que não tinha onde ficar. Uma das melhores sedes que tem no Brasil é a nossa. Fomos os primeiros'', afirma Flávio Costa.
Hoje a Casa do Expedicionário, no Alto da XV, recebe a visita de ex-combatentes todas as quartas-feiras, às 16 horas. ''Muitos já não comparecem em função da idade. Todos estão com mais de 85 anos'', revela o presidente da Legião, major Benur Augusto Muniz, que também foi enviado à Itália. ''É uma recordação que não há mais como esquecer porque não vai se repetir, a gente espera'', afirma. (D.R.)





