Mais habilidade discursiva
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segunda-feira, 05 de setembro de 2011
Ana Paula Nascimento <br> Reportagem Local 
Um misto de curiosidade e preocupação é o que se pode dizer da expectativa dos candidatos ao vestibular 2012 da Universidade Estadual de Londrina (UEL) diante das mudanças anunciadas para este ano. Com a inclusão de 12 questões discursivas de três áreas específicas conforme o curso escolhido - selecionadas pelo colegiado referente - e de mudanças na prova de redação - que ao invés da clássica dissertação passa a ter de duas a quatro propostas de produção de texto -, a justificativa é proporcionar uma melhor seleção do público universitário.
As 60 questões objetivas de nove disciplinas do currículo básico continuam na primeira fase; na segunda fase, permanecem as questões objetivas de português, literatura e língua estrangeira, assim como as provas de habilidades específicas.
''Decidimos pelas mudanças porque chegamos à conclusão que tínhamos um modelo já esgotado. Inicialmente o aluno pode até pensar que esse formato é mais difícil mas, diferentemente de quando só há questões objetivas, nas questões discursivas pode-se levar em consideração parte do seu conhecimento, já que ele pode ter uma nota parcial'', defende Elaine Mateus, titular da Coordenadoria de Processos Seletivos (Cops).
Com relação à dissertação, ela argumenta que esse modelo de produção de texto não estava mais sendo suficiente para avaliar a capacidade reflexiva e crítica od aluno. ''Estávamos tendo cada vez mais uma padronização dos textos dissertativos e esperamos que isso mude a partir de agora'', salienta.
''A dissertação acabou sendo um tipo de texto que fazem apenas para o vestibular. Agora poderemos cobrar, por exemplo, um resumo do aluno, que avalia a sua capacidade de síntese, algo que será importante em toda a sua vida acadêmica'', acrescenta Elaine. A coordenadora também acredita que essas mudanças a médio prazo conseguirão gerar impacto na educação básica, proporcionando um maior incentivo à leitura e à produção de texto.
Referência na cidade há mais de 30 anos no ensino particular de redação, português e literatura, o professor Carlos Fortes considera ''extremamente favorável'' a vocação vanguardista da UEL em se lançar na busca de novos modelos de avaliação, mas critica a retirada da dissertação.
''Acredito que a dissertação clássica é um instrumento avaliador eficiente para mostrar a maturidade do aluno, já que demonstra bem a sua capacidade argumentativa. Acho que eles poderiam ter mantido a dissertação, acrescentando outros tipos de produção de texto'', destaca.
Sobre as questões discursivas, Fortes pondera que a elaboração das perguntas é fundamental para um bom desempenho do aluno. ''Uma pergunta mal-elaborada desautoriza o novo modelo e espero que isso não venha a ocorrer. Outra coisa é que diante das mudanças acho que o manual do vestibulando deveria ter sido elaborado para uma melhor orientação'', pontua.
Como ''dicas'' para o novo vestibular, Fortes afirma que fazer bem o ''dever de casa'' continua. Reforçar o conteúdo visto em aula, ser um aluno leitor, principalmente de assuntos da atualidade, e justificar por escrito exercícios gabaritados das áreas específicas que serão cobradas são ainda mais válidos. ''É importante que o aluno se autodesafie e sempre considere o 'fator surpresa' que, inevitavelmente, faz parte dos testes seletivos'', recomenda o professor.


