Mais espaço para as mulheres na administração pública
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 09 de setembro de 2008
Karla Losse Mendes e Rosiane Correia de Freitas<br>Equipe da FOLHA 
FOLHA DE LONDRINA - Qual sua opinião sobre o nepotismo? A senhora defende alguma política específica para esses casos?
GLEISI HOFFMANN - Sou contra o nepotismo, achei muito boa a decisão do Supremo (Tribunal Federal). Acho apenas que as restrições deveriam ser revistas. A melhor prática contra o nepotismo é o concurso público no setor público, não tenho dúvidas disso.
FOLHA - A senhora defende uma redução dos cargos comissionados, de quanto seria essa redução?
GLEISI - Cinqüenta por cento. Hoje nós temos informações muito diversas da prefeitura, se são seiscentos cargos, se são mil. Cada um diz um número. Como a gente não tem acesso a esses dados é difícil saber, mas a gente sabe que é um número grande, então com certeza teria condições de ser reduzido para que os cargos comissionados sirvam como alavanca da política da gestão e não como cabide de emprego de acordo político.
FOLHA - A senhora é favorável ao financiamento público de campanha?
GLEISI - Sou favorável porque ele permite que você iguale as campanhas eleitorais, iniba o abuso de poder econômico e dá transparência aos gastos.
FOLHA - Qual sua visão sobre a cassação das candidaturas de pessoas com pendências judiciais?
GLEISI - Isso é muito polêmico. A priori a avaliação é que deveria realmente ser suspenso o registro, pois tem pendência judicial não teria porque concorrer a uma eleição. Por outro lado, pode ser que nós estivéssemos falando de processos que no final vão inocentar a pessoa, ou que foram conduzidos ou municiados de má-fé. Como em direito tem a máxima de que não há culpado antes da determinação legal, acredito que essa máxima sirva também na questão eleitoral.
FOLHA - As mulheres vão ter maior participação na sua gestão ou o critério será especifica-mente de qualificação técnica?
GLEISI - Com certeza o critério de competência e de qualificação técnica para os cargos é o primeiro critério. Mas sempre quando eu puder decidir entre um homem e uma mulher com a mesma qualificação, eu vou decidir pela mulher. Quero deixar claro que não sou contra os homens. Acho que ambos têm suas qualidades,
têm seus méritos.
Mas penso que a mulher
tem uma visão de cuidado mais exacerbada e que nós estamos precisando disto na gestão pública. É aliar a competência, a qualificação técnica ao cuidado e à sensibilidade porque a gestão pública cuida das pessoas, cuida da vida da sociedade. E as mulheres têm uma grande contribuição a dar.
FOLHA - Qual a participação que o ministro (Paulo Bernardo, do Planejamento, marido de Gleisi) terá, se é que a senhora prevê alguma participação dele, na sua gestão?
GLEISI - De apoiador da campanha nos finais de semana quando ele está
aqui e principalmente de sustentador das relações familiares. Como eu tendo uma ausência muito grande, mesmo ele estando fora, ele tem mais tempo para se dedicar as questões da família.
FOLHA - E depois da campanha, em uma possível gestão sua? Ele teria alguma participação?
GLEISI - Ah, em uma possível gestão. Não, nenhuma participação
efetiva. Teria, claro, como ministro, uma relação institucional. Eu como prefeita e ele como ministro. Mas não vai assumir nenhum cargo, não vai assumir a FAS (Fundação de Ação Social), pode ficar tranqüila.


