Mais do que chique na intimidade
Como não gosta de nada fácil, a estudante de moda Luiziana Tresoldi tem adiado pelos últimos três anos a entrega do seu trabalho de conclusão de curso (TCC). Com o tema ''Lingerie: Objeto de Luxo'', ela se esmera nos mínimos detalhes das criações, que devem ser apresentadas para a banca examinadora e uma platéia (que não poderia faltar em um desfile) em novembro.
''Sempre gostei de coisas requintadas'', explica Luiziana, que deixou a pequena Campo Erê (SC), de 10 mil habitantes, para vir estudar moda em Londrina. Por aqui descobriu que ''ainda há muita coisa para fazer em lingerie'', diz, cheia de planos. Em um trocadilho com o próprio nome, a estudante já tem o nome da própria marca: Louise Hannah. ''Em hebraico, Hannah quer dizer cheia de graça'', ensina.
''Luxo não é ostentação. É preciso ir além do que as consumidoras querem, para que desejem e comprem'', explica Luiziana. Ela foca suas criações nas moças independentes de 22 a 32 anos. ''Lingerie é a primeira peça que a mulher coloca e a última que tira'', lembra a estudante.
Os toques luxuosos das peças de Luiziana estão principalmente nos materiais utilizados: renda francesa chantilly, cristais austríacos, ônix e rubis facetados à mão e tecidos nobres como gazar e crepe de seda. Além disso, o diferencial está na produção dos sutiãs e calcinhas. ''Estou usando moulage (técnica em que a roupa é construída no corpo)'', adianta. O trabalho é dos mais artesanais. ''Quem acha um escândalo as peças de luxo tem de entender que é uma indústria que demanda mais mão-de-obra e emprega mais. É mais manual'', diz.
Requinte nos mínimos detalhes, Luiziana conta que não quer saber dos bojos moldados. ''Acho horroroso. E como a minha cliente é classe A, tem dinheiro para colocar silicone se quiser'', dispara.(K.M.)





