MAIS DE UM SÉCULO DE VIDA - Paraná lidera ranking de centenários no Sul do País
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sábado, 04 de junho de 2005
Luciano Augusto<br> Reportagem Local 
O Paraná é dos três estados do Sul o que possui maior número de idosos com 100 anos ou mais de idade. Em 2000, ano do último grande levantamento demográfico oficial, eram 119 premiados com a longevidade acima da média, 19 a mais do que o segundo colocado o Rio Grande do Sul. Além disso, a pessoa mais idosa do Brasil Maria Olívia da Silva, de 125 anos também reside em terras paranaenses.
Os brasileiros que já ultrapassaram a barreira dos três dígitos na idade somavam 24.576 pessoas em 2000. Pouco? Nem tanto, se considerarmos que pelas estimativas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatítica (IBGE) essa população deve chegar a 2,2 milhões de brasileiros em 2050. Além disso, o avanço das pesquisas com células-tronco que são capazes de substituir células doentes deverá contribuir para prolongar ainda mais a vida de muita gente.
Em 2000, nos três estados do sul do Brasil haviam 304 centenários, conforme o censo demográfico do IBGE. Com uma população de 9.563.458 pessoas, o Paraná liderava o ranking com 119 idosos com 100 anos ou mais de idade. Em seguida, vinha o Rio Grande do Sul (população total de 10.187.798 pessoas) com 100 privilegiados e, por último, Santa Catarina (5.356.360 pessoas) com 84 idosos centenários. Embora muitos falecimentos possam ter ocorrido nestes últimos cinco anos, é bastante provável que essas posições não tenham se alterado.
Além da liderança, em quantidade, no número de centenários, o Paraná também conta com a mulher mais idosa do país. Nascida em 28 de fevereiro de 1880, em Itapetininga (SP), dona Maria Olívia da Silva, vive com apenas um dos filhos em uma casa simples na zona rural de Astorga. Com 125 anos, ela pode ser oficializada pelo livro Guinness dos recordes como a mais longeva do mundo.
Em outubro do ano passado, a Folha contou a história da anciã que teve a certidão de nascimento original queimada durante um incêndio e que passa horas olhando o portão à espera da visita que nunca acontece dos outros dois filhos que trouxe ao mundo. A autenticidade do seu registro civil foi confirmada no mês passado por uma entidade brasileira especializada em registro de recordes.
Segundo o chefe do IBGE no Paraná, Sinval Dias dos Santos, a faixa etária com 60 anos ou mais é a que mais cresce percentualmente em nível nacional, a uma taxa de 8% ao ano. Hoje, segundo ele, a Terceira Idade já representa 8,2% da população do país. Essa tendência foi se acentuando a partir das décadas de 1950/1960, quando um grande contingente populacional começou a migrar do campo para a cidade, onde havia melhores condições de vida. A maior facilidade de acesso à medicina preventiva e às vacinas, por exemplo, acabaram fazendo a diferença entre continuar vivendo ou morrer.
Atualmente, os centenários formam um contingente com expectativa de vida bem acima da média nacional, que é de 71,5 anos para as mulheres e 68 anos para os homens. ''Essa expectativa de vida do homem poderia ser maior não fosse as mortes violentas registradas entre jovens do sexo masculino de 15 a 29 anos'', explica Santos.
Mas para os jovens que desejam superar a marca dos 100 anos de vida, o chefe do IBGE no Estado lembra que seria bom começarem a se preocupar hoje com a futura velhice. Isso porque o aumento no número de idosos deve impactar o sistema previdenciário brasileiro, que já anda mal das pernas. ''Isso deve ser uma dificuldade porque mais pessoas vão depender da Previdência Social'', avalia.


