O Guaíra reinou durante quase seis décadas como o único grande teatro de Curitiba. Estrelas da música, do teatro e da dança que se apresentavam na Capital tinham como destino o famoso espaço. Neste ano a coroa foi dividida. O bastão de maior espaço fechado para apresentações foi passado para o Teatro Positivo, que possui 127 poltronas a mais em relação ao Guaíra. A novidade traz para a cidade uma nova identidade cultural, além de valorizar a região do Campo Comprido, bairro onde o Teatro está localizado.
  Segundo Marcelo Bueno Franco, diretor do Teatro Positivo, a construção pode até impactar, mas o objetivo principal era arquitetar um espaço com a capacidade de trazer grandes espetáculos para a cidade. ‘‘O teatro é o segundo maior do Brasil. Viemos para somar com o Guaíra, a Ópera de Arame, o Canal da Música, entre outros’’, revela Franco.
  O diretor conta que agora a cidade pode receber espetáculos de peso, como musicais com estilo da Broadway. ‘‘O Guaíra dificilmente poderia fechar durante 20 dias seguidos para preparar a produção de uma grande atração. O teatro possui programação de espetáculos próprios como o Balé Teatro Guaíra e a Orquestra Sinfônica do Paraná. Então abrimos novas possibilidades para Curitiba’’.
  A agenda do Teatro Positivo está agitada. Existem apresentações programadas até o final deste ano, sendo que o mês de maio está cheio. Apenas o Circo da China fará cinco apresentações no próximo mês, e serão necessários dias a mais para montar toda a produção. Em outros períodos o Teatro está reservado para palestras internas da Universidade Positivo e eventos fechados como congressos médicos. Neste primeiro mês de funcionamento a maioria das apresentações foram musicais, mas produções de teatro e dança também estão agendadas.
  Por mais que os eventos trazidos para Curitiba possuam produtores locais, a equipe do Teatro também vai atrás de artistas de peso. Atualmente o diretor do espaço tenta trazer a Orquestra Sinfônica de Israel para se apresentar lá. ‘‘Quando temos este interesse procuramos algum produtor local para intermediar o processo’’, explica Franco.
  O diretor do Teatro Positivo diz não haver rivalidade com o Guaíra. Em alguns espetáculos realizados no Positivo, o cartão de fidelidade do Guaíra oferece desconto. ‘‘Somos teatros irmãos. Com o nosso Teatro eles irão conseguir manter as atrações próprias por mais tempo’’.
  Cleverson Cavalheiro, chefe de palco do Teatro Guaíra, acredita que o novo Teatro contribui para a diversidade na cultura da Capital e quem ganha é o público. ‘‘Achei o espaço muito bom. Ele veio em bom momento. Curitiba comporta dois grandes teatros’’, opina Cavalheiro.
  Mas mesmo assim ele crê que o Guaíra jamais irá perder o encanto que gera entre os artistas e o público. ‘‘O Guaíra é considerado a catedral do teatro no Brasil. Os atores e cantores sentem esta responsabilidade. Mesmo sendo um espaço com mais de dois mil lugares, ele cria um universo intimista e aproxima o artista do público’’.
  Para o chefe de palco, quem se apresenta lá sabe que diversos outros mitos do teatro e da música já estiveram no Guaíra. Assim, ficam deslumbrados em pisar no mesmo palco. ‘‘Este encanto vai continuar’’, avisa.
  Os produtores locais agradecem a criação de um novo grande teatro. Verinha Walflor, que traz show e espetáculos para Curitiba há 38 anos, diz que antes não existiam opções e a escolha ficava concentrada no Guaíra. Neste mês ela fez duas apresentações musicais no Teatro Positivo e ficou satisfeita. ‘‘É prematuro dizer qual dos dois eu prefiro. Ainda estou sentindo onde estou pisando. Mas irei programar novos espetáculos lᒒ, explica Verinha.
  Os próximos seis artistas que Verinha irá trazer para a Capital serão no Guaíra. Entre eles estão a cantora Maria Bethânia, a dançarina de flamenco Eva Yerbabuena e uma peça com a atriz Zezé Polessa, além de apresentações de balé.
  Marisa Vilela, diretora presidente do Guaíra, acredita que o novo teatro vem colaborar para a quantidade e qualidade dos shows apresentados na cidade. ‘‘Não somos concorrentes. Temos feito parcerias. Já foi realizada uma reunião para fazermos apresentações da nossa orquestra no teatro deles’’, explica a diretora.
  Há alguns dias a equipe do Teatro Positivo solicitou a ajuda de uma camareira que trabalha no Guaíra. Marisa conta que a experiência do teatro do Estado pode auxiliar o novo espaço. ‘‘Nossa opinião é unânime: o Positivo fez um teatro muito bom’’.
  A bailarina Dora Soares, proprietária da escola de dança Studio D1, achou que a inauguração do Teatro foi uma grande conquista para Curitiba. Com apenas uma opção para a apresentação de seus espetáculos, ela enfrentava dificuldade em conseguir datas no Guaíra. Dora alerta para os benefícios do Teatro Positivo. ‘‘Quando faço um espetáculo no Guaíra, tenho que disponibilizar 210 ingressos para o teatro. E são os melhores lugares. Além disso pago o aluguel do espaço e tenho que repassar uma parte da bilheteria também. No Positivo posso vender todas as poltronas do teatro’’. Se o ingresso para uma apresentação custa R$ 80, automaticamente o produtor perde R$ 16.800 apenas com os bilhetes entregues ao Guaíra, destinado para autoridades.
  As reclamações não param por aí. A bailarina diz que a conservação do Guaíra é precária. Também afirma que parte dos equipamentos de iluminação não funcionam, sendo obrigada a alugar o material que necessita. ‘‘O teatro é sujo. As minhas bailarinas entram com a sapatilha cor-de-rosa. Ao final do espetáculo estão todas pretas. Já fiz espetáculo lá que a cortina não funcionou’’.
  Dora diz que gostou do Teatro Positivo, mas algumas poltronas limitam a visão do público. Ela ainda não testou o espaço, mas tem agendada uma apresentação com Ana Botagofo para o dia 15 de junho. Já em
15 de maio faz um espetáculo
no Guaíra.

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