"As noivas me perguntam se consigo organizar um belo casamento com R$ 10 mil e eu digo: Consigo. Já fiz até com R$ 8 mil, com direito a tudo do bom e do melhor. Só não sobrou para o aluguel do carro de luxo. Eu mesma levei a noiva no meu carro", conta a produtora de eventos e dona de uma empresa de cerimonial, Cléia Mello, 39 anos. A situação relatada foi quando Cléia aceitou "socorrer" uma noiva que tinha sido lesada por um cerimonial famoso da cidade que fechou as portas, não cumpriu os contratos e sumiu com o dinheiro de todo mundo, em 2004.
"Ela tinha pago adiantado R$ 17 mil ao cerimonial e ficou apenas com R$ 8 mil, a um mês do casamento. Aceitei o desafio e a festa foi linda e emocionante. Sou amiga da noiva até hoje. Nunca vou esquecer", lembra. A produtora, na profissão há oito anos, foi procurada pela reportagem da FOLHA e topou revelar como trabalha para realizar casamentos com orçamentos mais modestos em Curitiba, contrariando um mercado milionário que segundo ela, tem muita gente "explorando os noivos", frequentemente vende "gato por lebre" e cobra pelos serviços de acordo com a estampa da cliente.
"Tem estilista que muda o preço do vestido de 1,8 mil para 3,5 mil só de olhar o carro da cliente estacionando. A noiva paga por 1,2 mil docinhos, quando chega na hora da festa eu conto e vejo que a doceira só mandou 900. Ligo pedindo o restante dos docinhos e ouço uma desculpa esfarrapada. Se a gente não ficar esperta, passam a gente para trás", critica. "Não concordo com isso, os noivos confiam em mim, devo trabalhar para ajudá-los no que for possível e não favorecer malandragem para cima deles. Tenho até fama de cerimonialista barraqueira", assume Cléia.
Muito bem articulada, ela diz conseguir organizar um casamento em até uma semana. E olhe que ser cerimonialista dá uma trabalheira. Precisa organizar as tarefas de cada profissional envolvido num evento - garçons, buffets, maitres, músicos, boleiras, doceiras, decoradoras, floriculturas - e primar para que tudo aconteça com perfeição: da cerimônia religiosa à disposição das mesas e prataria e recepção dos convidados. "É preciso conferir tudo com os prestadores de serviço dois dias antes, para não ser pega de surpresa pelo esquecimento de alguém", disse.
"Começo a trabalhar três horas antes da cerimônia, fico sempre por perto dos noivos, oriento a entrada na igreja, o que fazer no salão, a hora da valsa, o corte do bolo. Dou todas as dicas possíveis. Os noivos sempre me procuram com os olhos. São detalhes dos bastidores que ninguém vê", detalha Cléia Mello. "Quando termina a festa, recolho as sobras do bolo e dos doces, os pertences dos noivos e organizo tudo. Coloco os dois no carros para a lua-de-mel e só depois termina meu trabalho", completa.
"Adoro fazer casamento, é sempre um sonho sendo realizado. Estava no meu destino, acredito. Fui porta-aliança de pelo menos 15 casamentos quando era pequena. Só não gosto de noivas muito estressadas", assume Cléia, que largou a profissão de bacharel em direito para ser cerimonialista. Cobra R$ 650,00 pelo trabalho, se a noiva contratar também o serviço de assessoria, o preço sobe para R$ 1,2 mil. Mas deixa as noivas mais aliviadas, porque a produtora de eventos se responsabiliza por toda a produção do casamento.
Sugere estilistas para a confecção do vestido, cabeleireiro, maquiador e contrata todos os demais serviços para a realização do casamento, de acordo com o orçamento de cada cliente. "Sempre apresento três opções de prestadores de serviço. Por exemplo, três DJs de confiança, o mais barato custa R$ 450,00 e o mais caro R$ 3 mil. Todos muito bons, garantem uma festa bem animada", disse ela, que tem 29 casamentos agendados para este ano. "Muitos cerimoniais cobram 10% para indicar um prestador de serviço. Eu não faço isso. Ajudo muitos noivos a economizarem até", defende.
"Todo casamento é igual. No começo, os convidados estão sérios, apreensivos, uma formalidade só. Depois que todo mundo bebe, vai se soltando, tira os sapatos. Pego o microfone e vou incentivando o pessoal, já quebra um pouco do gelo. Quando o casal vai entrar no salão, coloco uma música bombástica e peço para todos parabenizarem os noivos", descreve. "Eu falo: com muita alegria vamos receber os recém-casados e contagio os convidados, que aplaudem e fazem festa. Tem muito cerimonialista que não sabe fazer isso. É meu diferencial", aposta Cléia Mello.

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