Curitiba - Se você está de férias marcadas para este verão e ainda não programou sua viagem, não se sinta culpado. Uma pesquisa realizada pelo portal MalaPronta.com, que atua nacional e internacionalmente com produtos e serviços de turismo on-line, apontou que apenas 33% dos brasileiros têm o hábito de realizar reservas com 30 dias ou mais de antecedência quando vão viajar. Ou seja, a grande maioria deixa para acertar tudo na última hora.
  A pesquisa foi feita a partir de dados de dois milhões de solicitações de reservas feitas através do MalaPronta.com nos últimos dois anos. Francisco Millarch, CEO do portal, afirma que não é possível relacionar esse hábito com o suposto ‘‘jeitinho’’ brasileiro de deixar tudo para a última hora, já que o comportamento de realizar reservas menos de um mês antes das viagens não é exclusividade dos turistas do País.
  ‘‘O resultado não chegou a ser surpreendente. Serviu para a gente ter números claros desse perfil, que é compreensível. A falta de tempo interfere no planejamento. Muitas pessoas que vão viajar acabam tendo que fazer tudo de última hora’’, explica o CEO.
  ‘‘No exterior, acredito que o que acontece muito é que a pessoa até prefere pagar mais caro, em uma viagem de última hora, pelo conforto e pela flexibilidade. O mercado de última hora sempre vai existir’’, argumenta Millarch.
  Flávia Reis, delegada da regional Londrina-Norte do Paraná da Associação Brasileira de Agências de Viagens (Abav) e conselheira nacional da entidade, aponta que o hábito de deixar as reservas para a última hora é comum entre muitos turistas brasileiros, mas esse perfil está mudando. ‘‘Está havendo mais demanda no Brasil por viagens. O pessoal vai se obrigar a se planejar’’, descreve Flávia.
  Millarch aponta prós e contras nas reservas de última hora. ‘‘As desvantagens são a eventual indisponibilidade de hotéis ou outros serviços, ou a falta de opções compatíveis com o perfil da pessoa, e preços mais altos. Por exemplo, na Argentina, a 10 dias do Natal, menos de 10% dos hotéis de Buenos Aires têm disponibilidade para a data. Em Paris, o índice é parecido. Ou seja, quem deixa para a última hora, vai ter restrições’’, explica.
  ‘‘A principal vantagem é, mesmo pagando um pouco mais, ter a certeza de que vai fazer a viagem, ao invés de correr o risco de acertar tudo com muita antecedência, surgir um imprevisto e ter que lidar com o prejuízo de um can-celamento’’, afirma o CEO.
  A pesquisa do MalaPronta.com dá um indicativo desses riscos. Entre pessoas que fazem reservas menos de duas semanas antes da viagem, ou seja, de última hora, o índice de efetivo comparecimento ao hotel supera os 60%. Por outro lado, o comparecimento entre viajantes que reservam com mais antecedência é aproximadamente duas vezes menor.

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