Maioria atual prefere as cidades
Nos anos 60, a população de origem japonesa no Brasil começou a migrar rapidamente da zona rural para a urbana, em busca de melhores condições de vida. A desilusão com o trabalho na roça e a falta de perspectiva para as gerações futuras foram os argumentos do êxodo. Na época, a estimativa era de que a comunidade nikkei se dividia equitativamente entre campo e cidade, com uma pequena predileção pela primeira alternativa.
Hoje, a situação é completamente inversa. Em 1988, o Centro de Estudos Nipo-Brasileiros verificou que aproximadamente 90% da colônia vivia nos centros urbanos, enquanto esse índice, no País em geral, não chegava a 68%.
Outra tendência geral detectada pelo Centro de Estudos foi a de que os japoneses e descendentes ganham mais do que a média do País. Na faixa de renda acima de 20 salários mínimos, os ganhos de uma família nikkei equivalem ao triplo da média nacional. No levantamento, mais de 60% dos chefes de família se definiram como classe média.
TradiçõesAssim como acontece com o idioma, os moradores das zonas rurais têm mais interesse em preservar as tradições, integrando organizações que mantém vivas a cultura japonesa. Dois terços dos nikkeis que vivem nas cidades não participam de nenhuma associação. A Associação Cultural (Kaikan) é a que atrai mais: 17,40%; os clubes de origem japonesa ficam com 3,09%, a Associação de Província (Kenjinjai) com 1,60% e as organizações de ordem religiosa com 1,37%.
Segundo o levantamento de 1988, apenas 0,28% dos nipo-brasileiros eram de quinta geração - trinetos dos primeiros imigrantes. A grande maioria dos entrevistados era de segunda e terceira gerações (nisseis e sanseis). Entre os descendentes de quarta geração, 61% eram miscigenados.
Nos quesitos idade e sexo, os nikkeis se apresentam jovens, com ligeira predominância masculina, a exemplo da tendência geral da população brasileira. Mas o estudo verificou que na faixa abaixo dos 15 anos as mulheres são maioria. Em pesquisa semelhante realizada no final da década de 50, os resultados foram praticamente os mesmos que os apurados em 1988. (E.I.)





