Maio ainda é o mês das noivas
Casar é um bom negócio. Não, não se trata de golpe do baú ou uniões por interesse. O casamento é um negócio cada vez mais rentável e abrangente para um punhado de profissionais envolvidos com a preparação da festa. Do vestido de noiva ao buffet, da decoração da igreja à viagem de lua-de-mel, das fotos à confecção de convites - há um universo gravitando ao redor do casal de noivos.
A instituição não perdeu seu glamour, apesar das mudanças sofridas ao longo dos anos. Hoje, a Igreja já não permite a suntuosidade que dominava a cena de algumas cerimônias há alguns anos. Nada de candelabros, arranjos florais exagerados ou efeitos musicais dignos de novela. Os padres querem valorizar a tradição religiosa, que para muita gente acabou ficando em segundo plano.
Marcelo AlmeidaCom 30 anos de mercado, Paulo Cougo é o mais famoso fotógrafo de casamentos de Curitiba
As pessoas ainda acham importante casar, mas o sacramento na igreja é mais uma satisfação para a sociedade e os pais, avalia Maria Francisca Velloso, que responde pela organização e cerimonial de casamentos e eventos empresariais. Muitos noivos têm preferido a cerimônia no próprio local da recepção, com um juiz de paz que já faz o casamento civil.
Assim como as igrejas mais badaladas (Santa Terezinha e Santo Agostinho), os buffets e clubes têm reservas com mais de um ano de antecedência. Um dos mais tradicionais da cidade, o Buffet du Batel, atende uma média de oito casamentos por mês. Com dois salões, um com capacidade para 100 pessoas e outro para 550, o Buffet du Batel dificilmente ocupa todas as suas dependências para festas de casamento. As pessoas têm preferido comemorações mais íntimas, avalia a proprietária, Carla Darin, há 11 anos no comando da casa.
Optar por festas menores é também uma questão financeira. Uma festa de casamento sai caro, mesmo a que dispensa grandes luxos. É preciso programar com bastante antecedência, sugere Maria Francisca Velloso. Alguns profissionais admitem até crediário, desde que na data do evento já esteja tudo pago.
Albari Rosa
Rosiane Pereira Simões (foto de cima) faz os últimos ajustes antes do casamento, que acontece neste sábado. Na foto de baixo, Maria Francisca Velloso, responsável pela organização de casamentos elegantes
Segundo Maria Elena Chastalo, que há cinco anos responde pela organização de casamentos - foi ela quem montou a festa de Kerstin Taniguchi, filha do prefeito Cassio Taniguchi -, as noivas modernas não têm mais tempo para pesquisar preços e escolher o que mais convém, por isso acabam delegando essa função à mãe ou a um profissional. Assim, o casamento fica dentro de um orçamento pré-estabelecido - e extremamente variável. Dependendo de quanto se quer gastar, as opções são inúmeras.
Gastar dinheiro, no entanto, não é garantia de um casamento elegante. Festas de gosto mais do que duvidoso, mesmo as elaboradas por profissionais, pipocam nos salões da cidade. Estilistas afeitos ao over, com profusão de brocados, rendas, pérolas, flores, cauda em cascata - sim, tudo junto - levam os novos-ricos ao delírio e os chiques àquele entortar de nariz característico do desdém.
Fazer uma festa de casamento realmente bela não significa dispender pequenas fortunas, mas sim conjugar bom gosto, naturalidade e uma mistura harmoniosa entre o que é tradicional e o que é criativo. Com o orçamento que for.





