O presidente do Senado, Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), disse ontem que não se recusará a conversar com a oposição sobre as medidas contra a crise econômica que o Congresso começará a examinar nos próximos dias. Ele alegou que, após as eleições, os brasileiros têm de se unir para ‘‘sair da crise’’.
Para o senador, não há muito o que acertar sobre o entendimento com os partidos que fazem oposição ao governo. ‘‘Há as medidas que o governo tem que aprovar’’, frisou. ‘‘Se eles puderem convergir, ótimo.’ ACM também defendeu a necessidade desses partidos pararem de obstruir a votação dessas propostas. Em compensação, se prontificou a discutir o projeto sobre a cobrança de impostos das grandes fortunas, defendido pelo PT.
ACM foi cauteloso sobre a possibilidade de essa aproximação envolver o debate sobre a reforma agrária. Ele alegou que a reforma está sendo feita pelo governo . Não há, portanto, motivo para debater uma proposta do PT ‘‘que pode ser danosa para o País e aí não há por que aceitá-la porque partiu da oposição’’, explicou.
O senador previu que, no início do novo mandato, o presidente Fernando Henrique Cardoso enfrentará uma situação difícil porque terá que adotar medidas amargas, sem que isso implique em prejuízo para a população mais carente. ‘‘Vamos ter um ano de muito trabalho’’, afirmou. Ele incluiu entre essas medidas o corte de verbas do Orçamento da União. ‘‘Não será um período negro, mas também não será róseo, disse. ‘‘Todos terão que fazer sacrifícios’’.
ACM acredita que a Bahia sofrerá menos do que outros Estados, porque organizou bem as suas finanças. Sua opinião é de que o Estado se preparou para viver num mundo de realidade ‘‘e não num mundo de fantasia, como outros fizeram’’.
Magalhães deu as declarações depois de ter votado na zona eleitoral instalada no Clube Bahiano de Tênis. O governador da Bahia, César Borges (PFL), candidato à reeleição, votou em Jequié, onde nasceu.
Pela manhã, dezenas de baianas paramentadas chegaram ao clube para aguardar ACM. Ao redor de seu apartamento, no Bairro da Graça, formou-se uma comitiva para acompanhá-lo. Estavam com ele seus dois herdeiros políticos diretos, os netos Antonio Carlos Magalhães Neto e Luis Eduardo Júnior, e o filho Antonio Carlos Magalhães Júnior, administrador das empresas da família. (AE)

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