Mães trabalhadoras querem mais tempo
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sábado, 07 de maio de 2005
Carolina Avansini<br>Reportagem Local 
O ''aperto no coração'' não faz distinção de raça ou classe social. Executivas ou operárias, todas as mães trabalhadoras já enfrentaram, em algum momento de sua jornada, o sentimento ruim de se separar dos filhos na hora de ir para o trabalho. Os pequenos choram, os maiorzinhos reclamam. As mães absorvidas por um mercado que depende cada vez mais da mão-de-obra feminina tentam apaziguar a culpa com comportamentos compensatórios.
A engenheira de produção Sandra Cunha Sanfelice Anici, mãe de Gabriela, de 6 anos, e Giuliana, de 3, enfrenta uma jornada de trabalho que começa às 8h30 e termina às 19 horas. Ela deixa as meninas na escola de manhã e só as reencontra no início da noite, em casa, onde passaram a tarde com a empregada.
Para Sandra, que trabalha desde antes do nascimento da primeira filha, o maior sofrimento acontece no fim da licença-maternidade. ''Depois, a gente entra na rotina'', considera. Por causa de sua jornada de trabalho, a engenheira acredita que perde oportunidades de curtir algumas etapas do desenvolvimento das filhas. ''Compenso nos fins de semana, quando dedico todo o tempo a elas'', diz.
O sentimento de culpa aparece quando a mãe, ausente durante todo o dia, deixa de dar algumas ''bronquinhas'' necessárias à educação das meninas. ''Depois de um dia estressante, a qualidade da atenção dispensada também é pior'', afirma.
A preocupação em deixar os filhos com outras pessoas também faz parte da rotina da empregada doméstica Andréa Vitorino Soares, mãe de Iasmin Nayara, de 9 anos, Jéssica Carolina, de 6, Lincoln Mateus, de 4, e Maria Eduarda, de 2. De volta ao mercado de trabalho há quatro meses, ela, que passou dois anos em casa para cuidar da filha mais nova, sofre a cada vez que a pequena chora na porta da creche. ''Dói muito. Fico com vontade de levar ela para o serviço'', conta.
Lincoln, que já está acostumado com a creche, é o que menos preocupa a mãe. As meninas mais velhas estudam de manhã e, à tarde, ficam sob os cuidados da tia, que tem apenas 12 anos. ''Ela (a tia) também é uma criança. Minha sorte é que os vizinhos e a família me ajudam'', afirma a mãe.
Enquanto Andréa trabalha, seus filhos menores ficam sob os cuidados de outras mães: as professoras da creche. Uma delas é Jéssica da Silva Eduardo, de 24 anos. Mãe de Luany, de 2, ela conta com a ajuda da mãe e do marido para cuidar da filha durante sua jornada de trabalho e nos horários em que frequenta a universidade. ''Quando ninguém pode ficar com ela, pago uma diária na escolinha que fica perto da minha casa'', conta.
Reponsável por uma classe de 25 crianças entre 3 e 4 anos, ela garante que a rotina cansativa não a impede de dedicar atenção à filha nos momentos em que está em casa. ''Quem trabalha com educação infantil tem que gostar de criança. Como é o meu caso, nunca fico nervosa e estressada'', afirma.
Jéssica trabalha tranquila quando a filha está bem de saúde. ''Triste é quando ela fica doente, com 'vontade de mãe''', conta ela, que se sente útil por colaborar com outras mães que trabalham. Professora desde antes de Luany nascer, ela garante que se tornou melhor profissional após a maternidade. ''Hoje dou mais importância ao lado pessoal de cada um. Quando eles estão tristes, sinto a mesma dor'', revela.


